Como fazer a armazenagem e movimentação de cargas nos portos?

armazenagem e movimentação de cargas nos portos
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Os processos de armazenagem e movimentação de cargas nos portos são partes fundamentais de uma logística eficiente. Estes processos são importantes para preservar a integridade dos produtos nos contêineres, promover segurança, otimizar operações e rotas e garantir sucesso como resultado final.

Na intenção de entender ainda mais sobre a relevância desses procedimentos, entrevistamos Rodrigo Rocha, gerente comercial dos Centros Logísticos da Wilson Sons, e Luciano Leite, gerente do Terminal de Contêineres da Wilson Sons de Salvador. Eles explicam, com maior clareza, os pormenores por trás desses processos. Vamos seguindo!

Por que é importante fazer o transporte e a armazenagem de cargas de forma correta?

O ato de armazenar e transportar diferentes tipos de produtos ao mesmo tempo, como é o caso dos centros logísticos, exige cuidado. Além de atentar à constante otimização de recursos, buscar por boas práticas em logística garante a qualidade dos itens estocados e promove facilidade ao localizar, mover e lidar com cada contêiner.

Sem os devidos cuidados — ou seja, ao negligenciar o uso dos equipamentos adequados, o tipo correto de armazenagem e a classificação de cada item, por exemplo — podem comprometer a qualidade das mercadorias, causar avarias e, até mesmo, colocar a equipe em risco.

Como realizar essas atividades de maneira adequada?

Os profissionais em logística portuária devem contar com altos graus de especialização e competência. É preciso dar atenção a alguns pontos específicos, que incluem:

  • disposição e localização das cargas;
  • isolamento de cargas incompatíveis;
  • mapeamento de riscos;
  • cálculo de quantidade;
  • especificidades de cada produto;
  • experiência do cliente.

Esse último ponto é extremamente relevante na armazenagem e movimentação de cargas nos portos. Segundo Leite: “é preciso atender a três fatores: confiabilidade, rastreabilidade e previsibilidade. Nesse sentido, apesar de a tecnologia disponível para os terminais de containers estar muito nivelada, alguns diferenciais são determinantes para tornar um terminal atraente para o cliente, tais como agilidade na troca eletrônica de dados, comprometimento da equipe da solução imediata de possíveis falhas, bem como a transparência nas informações táticas operacionais. Além disso, o conjunto de dados rastreáveis de hoje traz uma tranquilidade grande aos clientes”.

Rocha complementa: “o cliente não tem acesso à parte de monitoramento da zona alfandegada. Contudo, existe um portal por meio do qual ele pode fazer todo o processo de contratação dos serviços do terminal — sem interação alguma com pessoas — além de seguir o tracking do contêiner. Essa inovação traz excelentes resultados em termos de transparência”.

Finalmente, é importante ressaltar o cuidado com os detalhes. “Determinados perfis de cargas precisam, por questões regulatórias ou características físicas, de atenção adicional. Exigências de controle de temperatura ou uma carga de tamanho excepcional são exemplos disso. Nós cuidamos desses pontos. A custódia da carga que nos é dada precisa ser resguardada para que ela entre e saia do terminal adequadamente”, diz Rocha.

Gestão de riscos

Um ponto de grande importância! Além dos fatores citados, a atuação profissional e as regulamentações por trás dos processos visam ao compliance e minimizam acidentes — como o visto, recentemente, no Líbano. No Brasil, segundo Leite, o controle é bastante rígido.

“Não se pode ter, por exemplo, uma carga corrosiva armazenada junto a uma carga inflamável. Existe uma tabela de incompatibilidade de cargas perigosas, a qual seguimos rigorosamente com a utilização de um módulo automatizado de nosso sistema operacional. Além disso, este sistema também nos informa sobre todas as cargas perigosas programadas para chegada no porto. Caso ela exceda a capacidade setada pelas autoridades ao ser planejada, um alerta é enviado ao pessoal de segurança do trabalho”, diz o gerente.

Ademais, precauções extras são tomadas. Rocha fala sobre a atenção que os especialistas têm em relação a todos os materiais armazenados e transportados. “As Nações Unidas possuem um tratado de cargas perigosas chamado Código ONU. Todos os signatários devem seguir essa legislação. Aí, entram os profissionais da área regulatória. Eles avaliam e analisam o que pode ou não ser armazenado, a quantidade e a compatibilidade”.

Quais cuidados devem ser tomados durante a armazenagem e movimentação de cargas nos portos?

Conhecida a relevância de processos logísticos adequados, tanto no que diz respeito à qualidade quanto à segurança, é hora de conferir boas práticas a serem levadas em conta durante as operações. Saiba mais!

Classificar e posicionar corretamente

Esse é um ponto crucial. Ele fala sobre a responsabilidade ao lidar com cada tipo de produto. Segundo Rocha, “a classificação vem da ONU, onde estão estipuladas as classes de risco, feitas por três números. Elas são universais para todo mundo. Líquido inflamável, por exemplo, tem uma numeração específica. Desta forma, há uma gradação da periculosidade por meio dos números”.

O profissional adiciona: “isso é importante na hora de garantir tratativas mais severas conforme aumentam os níveis de risco. Também há uma questão de limite de quantidade que precisa ser observado. Em suma, toda carga deve ter labels, ou seja, selos que indicam seu tipo”.

“Existem, também, as FISPQ (Ficha de Segurança de Produtos Químicos). Cada carga que entra é especificada em termos de tratamentos. Além disso, elas informam sobre o tipo de embalagem (saco, latas, big bags etc.). No caso de um incidente como um vazamento, esse é o primeiro documento que a equipe de segurança do trabalho consulta para mitigar a situação. Ele diz o que fazer caso o item entre em contato com os olhos e as mãos. Para casos de incidentes de maior monta, temos contrato com empresa especializada em combate a incidentes ambientais para atuar com as devidas tratativas”, finaliza Leite.

Prezar pela segurança da equipe

O aproveitamento da infraestrutura, o uso dos equipamentos de proteção individual e o respeito aos processos são pontos fundamentais no gerenciamento de riscos. Segundo Rocha, “quando é uma pessoa manipulando a carga, há todo um treinamento voltado ao colaborador no que se refere ao uso dos EPIs — como luvas, macacões, proteções para inalação etc. Isso é feito na intenção de garantir o transporte e manuseio apropriados”.

Contar com as inovações disponíveis

A evolução da armazenagem e movimentação de cargas nos portos garante que a tecnologia seja uma aliada de boas práticas em logística — em especial no que diz respeito à agilidade e eficiência na indústria 4.0. Leite explica: “hoje, a gente recebe todas as informações necessárias por meio de um portal. Não é mais necessário receber a papelada de 6, 7 anos atrás em nossos gates. Hoje, nosso gate é todo automatizado e toda a documentação é inserida, conferida e validada previamente via agendamento via Portal do Cliente”.

Rocha complementa que “a tecnologia tem trazido à tona a questão da análise de dados e do business intelligence, que vem avançando e interligando a parte de inteligência artificial e internet das coisas. Esses elementos colaboram com o nosso trabalho, referenciando a localização da carga, por exemplo, de maneira automatizada”.

O Gerente Comercial dos Centros Logísticos finaliza: “a Wilson Sons tem sido vanguarda nesse assunto, trazendo mais segurança e rapidez no tratamento das cargas — a fim de preservar vidas, trazer agilidade, simplicidade e redução de custo aos processos”.

As operações de armazenagem e movimentação de cargas nos portos exigem cuidados específicos — tanto no que se refere à segurança quanto na qualidade. É fundamental contar com especialistas no assunto nesse momento. É somente ao dar a atenção necessária a cada parte do processo que será possível garantir conformidade, um alto padrão de serviço e os melhores resultados em inteligência portuária.

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