Deadweight: o que significa o “peso morto” de uma embarcação?

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Muitos dos termos relacionados às embarcações são bem específicos e técnicos para o setor, por isso muitas empresas que utilizam o transporte marítimo para comércio internacional acabam não buscando mais a fundo seus significados.

Mas sabia que esse conhecimento pode fazer toda a diferença? Definições como a de Deadweight ajudam a entender melhor a capacidade de navios e otimizar o afretamento marítimo (maritime chartering) para lucrar mais com a importação e exportação.

Para que você entenda melhor, convidamos especialistas no assunto, como José Carlos Massonetto Jr., gerente de projetos em estaleiros e Adalberto Souza, diretor-executivo do Estaleiro São Paulo, ambos da Wilson Sons. Acompanhe!

A definição de Deadweight

Quando um navio de carga é planejado e construído, o foco é fazer com que ele transporte o máximo de carga possível para suas dimensões. Quanto maior essa capacidade, mais vantagens para todas as partes envolvidas no afretamento.

Porém, existe um limite para o qual se pode utilizar esse peso com carga transportada mantendo o navio funcional — que permita ele ser operado e fazer o trajeto necessário com confiabilidade e segurança.

O Deadweight é a medida utilizada no setor para definir a diferença entre o peso total da carga suportada por uma embarcação e o peso necessário para que ele funcione como esperado — não apenas a carga paga, mas todo e qualquer item transportado a bordo.

Em português, a denominação de Deadweight geralmente é apresentada como Porte Bruto. O valor é expresso em toneladas abreviando-se os dois nomes: tpb ou tdw. Essa medida deve considerar o deslocamento leve (a massa da estrutura, como casco, máquinas, acabamentos, cabos elétricos etc.) bem como outros elementos que mantêm o navio operacional:

  • combustíveis;
  • lubrificantes;
  • águas potáveis, doces, de alimentação e lastro;
  • provisões, tripulação com seus pertences;
  • passageiros com bagagens;
  • peças sobressalentes e removíveis;
  • água e óleo residuais nos tanques e tubulações do casco;
  • fornecimentos usuais do armador (carrier), tais como roupa de cama e mesa, talheres, cutelaria, artigos de consumo, entre outros.

A soma de todo esse volume com a carga transportada comercialmente, ou payload, forma o Porte Bruto da embarcação, seu Deadweight. A importância desse equilíbrio desde a concepção é apontada por José Carlos.

“Como a função prioritária de um navio é transportar carga, quanto maior a diferença entre deslocamento carregado e deslocamento leve, melhor. Para isso, o projetista do navio busca reduzir ao máximo possível o seu deslocamento leve, com aplicações de materiais que tenham a resistência necessária e equipamentos que sejam mais leves”, explica.

As diferenças entre Deadweight e Gross Tonnage

Muitas vezes acontece uma confusão de pessoas menos próximas do setor entre as definições de Deadweight e Gross Tonnage. Apesar de indicarem características parecidas, suas definições são diferentes.

O Gross Tonage (GT), ou Arqueação Bruta (AB) em português, é um indicador não relacionado diretamente a uma medida específica, ligado ao volume interno total de um navio. Essa expressão indica o tamanho total de uma embarcação, calculado de acordo com as prescrições das regras e normas, em função do volume de todos os espaços fechados da embarcação.

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Isso significa que, diferentemente do Deadweight, o GT não é definido por unidade física como tonelada ou metro cúbico. É uma indicação da capacidade de um navio utilizada para segmentação em normas governamentais e operação nos portos — como taxas aplicáveis. Para importadores e exportadores, o Porte Bruto acaba sendo a medida mais relevante.

A importância do Deadweight para a segurança

O cálculo equivocado do Deadweight — seja por superdimensionamento do payload ou por não considerar corretamente o deslocamento leve — não é apenas um problema comercial, mas um risco iminente para a integridade de tripulantes, da embarcação em si e da carga que ela contém.

Existe, por exemplo, a possibilidade de faltarem insumos para operação do navio e atrasar o trajeto realizado. Outro risco é de esforço excessivo sobre a estrutura, causando deformações ou até ruptura de estruturas que possam causar um incidente mais grave.

Mas esses são acontecimentos pouco comuns, desde que respeitado o Deadweight. O maior problema do sobrepeso está na operação portuária. É uma medida que importa muito na análise de quais terminais serão utilizados, baseado no Under Keel Clearance (UKC), o espaço mínimo determinado entre o calado do navio e o solo.

“Antes de uma viagem, sabendo em qual porto ele vai operar, devem ser verificadas as condições seguras de UKC e assim definir qual o carregamento máximo permitido”, confirma Massonetto. Ou seja, mesmo um Deadweight compatível com a embarcação pode não ser compatível com o porto em que ele vai atracar.

Atualmente, o Disco de Plimsoll é a indicação aceita no mundo inteiro para determinar se o navio está mais carregado que o permitido, cabendo às autoridades portuárias negar a entrada da embarcação em condições consideradas não seguras.

Dr. Adalberto ainda completa que “o Deadweight é também importante para saber a capacidade de carga e organizar a distribuição de cargas”. Ele chama a atenção para que a carga seja distribuída de forma estável. “A instabilidade da embarcação pode dar algum problema, da maneira que se carrega um barco: se carrega muito numa ponta, a outra ponta levanta”, alerta.

O impacto do Deadweight no comércio internacional

Além de aumentar a segurança, como comentamos, a determinação do Porte Bruto é também uma questão econômica. Quanto maior o espaço para o payload, mais carga comercial um navio pode levar em uma viagem. Portanto, um aumento para o volume transportado e, possivelmente, uma logística mais barata.

É por isso que o foco do desenvolvimento de embarcações modernas está nesse equilíbrio. A solução básica de simplesmente aumentar o tamanho de todo navio não é a melhor abordagem, já que cada um tem sua função, seu tipo de porão e os portos em que pretende operar. Afinal, aumentar a capacidade de payload invariavelmente exige uma estrutura mais resistente, mais combustível e uma tripulação maior.

A busca pelo aumento do Deadweight, portanto, é uma busca de desenvolvimento tecnológico. Como José Carlos Massonetto define, a busca é por materiais mais leves, combustíveis mais eficientes e automação que reduza a necessidade de pessoal e equipamentos adjacentes.

A consequência natural disso está na eficiência crescente do transporte de cargas marítimo — embarcações capazes de carregar cada vez mais carga comercial mantendo dimensões constantes e determinações de segurança. Se o navio é a base de grande parte do comércio no mundo todo, o Deadweight se torna uma medida fundamental para seu crescimento.

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