Digitalização de processos logísticos: entenda as vantagens de apostar em novas soluções

Digitalização de processos logísticos
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A digitalização de processos logísticos é uma realidade mundial e as empresas que não adequarem suas operações em tempo hábil perderão receitas e competitividade. Uma prova disso é o relatório 2019 Digital operations study for energy, da consultoria PwC.

Segundo o estudo, a digitalização deverá reduzir os custos em transporte em até 47% até 2030, considerando sua aplicação em processos e nos veículos de distribuição. Sendo assim, há um panorama animador pela frente, desde que as empresas se preparem de maneira adequada.

Para apontar alguns caminhos nesse sentido, convidamos Guilherme Cruz, diretor de TI-CIO, e Fabio Viana, gerente de sistemas, ambos da Wilson Sons. Confira o que esses especialistas têm a dizer.

A logística portuária

No contexto da logística portuária e do agenciamento marítimo, as atividades se dividem em 3 módulos, cada um responsável por conduzir uma parte das operações: corporativo ou complexo fino, administração e operação — os entrevistados nos contam com detalhes como funciona cada um deles.

Corporativo ou Complexo fixo

Segundo Fabio Viana, “é o pessoal que fica na matriz, com as áreas financeiras, RH e o pessoal de TI corporativa, que cuida, por exemplo, do SAP, um sistema que é usado por todos os negócios e é centralizado. Nele estão, ainda, jurídico, suprimentos, contabilidade entre outros setores de apoio.”

Administração

“É a parte mais de back office. É nela que estão o pessoal de escritório local e o faturamento — eles compõem o back office do negócio. É a equipe que dá um apoio em terra, mas não é do corporativo, sendo específica para o negócio em curso, como o desembaraço aduaneiro.”

Operação

“Finalmente temos o front office. Nesse segmento encontra-se o pessoal da tripulação ou que está na filial cuidando da operação. Um operador de empilhadeira ou um comandante de rebocador são exemplos de profissionais que atuam nessa parte.”

Considerando tantos setores interligados, não se pode esperar resultados sem a aplicação intensiva de tecnologia. É por isso que a digitalização vem ganhando terreno, já que agrega vantagens e permite que empresas de comércio marítimo sejam mais escaláveis.

Os benefícios da digitalização dos processos logísticos

A Transformação Digital é o movimento em larga escala que está levando empresas a recriarem seus modelos de negócios e até ao surgimento de novos nichos de mercado. Na logística que cerca o comércio marítimo não é diferente, em especial se considerarmos os ganhos em produtividade e redução do esforço humano.

Nesse aspecto, Guilherme Cruz destaca a nova dinâmica que está levando ao desaparecimento de certas funções paralelamente ao surgimento de novas especialidades: “um terço das profissões que existem hoje daqui a 5 anos serão transformadas completamente”, sentencia o Diretor de TI.

Economia de tempo e dinheiro

De acordo com Fabio Viana, o maior ganho ao digitalizar processos é na eficiência, já que se consegue produzir mais com menos, inclusive com uso de aplicativos em smartphones. Sobre isso, Viana sugere uma reflexão “o mundo vem mudando muito e de forma rápida, uma das razões para isso é que a capacidade computacional avançou muito. A mobilidade, o alto serviço e a quantidade de informações disponíveis com as quais a gente tem que lidar aumentou. Nesse aumento, evidentemente temos uma série de questões que todas as organizações terão que enfrentar cedo ou tarde.”

Ele continua: “por isso, o sucesso das empresas vai depender da maneira como elas conseguem repensar seus processos utilizando a tecnologia da melhor maneira possível. Isso significa entregar mais valor para o cliente de uma maneira mais simples, rápida e direta.”

Melhora nos processos

Saindo um pouco da reflexão, Guilherme Cruz aponta para um dos ganhos de ordem prática proporcionados pela digitalização de processos logísticos. Nesse caso, o destaque fica por conta da entrada de notas fiscais no sistema que, ao ser automatizada, é concluída em questão de segundos.

Nesse aspecto, também há ganhos na emissão de documentos como a declaração única de exportação e o conhecimento de embarque, indispensável para o embarque de mercadorias. Trata-se de um documento obrigatório de acordo com a Instrução Normativa RFB Nº 1759/17. Portanto, todo ganho em agilidade no seu processo de emissão é bem-vindo, considerando sua importância em termos de garantias legais.

Viana acrescenta, ainda, a melhoria em processos de rotina que, sem a digitalização, tomariam tempo e em nada agregariam em termos de resultado. É o caso da verificação do cadastro de fornecedores.

Segundo o especialista em sistemas, fazer essa verificação manualmente seria muito difícil, já que se trabalha com um volume enorme de dados. Com um robô, esse processo é feito em segundos. E conclui “não temos como mensurar, mas posso dizer que é um ganho enorme!”

Diminuição de erros humanos

Guilherme Cruz também procura contextualizar os avanços na área de logística e comércio internacional. “Temos visto computador com inteligência artificial fazendo trabalhos na área de direito ou medicina. No nosso negócio, por exemplo, o avanço digital fez com que certas funções fossem totalmente modificadas.”

Continua: “um exemplo disso é quando o gate para a entrada do caminhão no porto é digitalizado, ou seja, usa-se código de entrada por meio do smartphone ou biometria, dispensando, para isso, a intervenção humana em alguns processos. Por outro lado, essa menor intervenção do homem aumentou a demanda por outros profissionais, como é o caso do especialista de dados e o programador. Já existem portos no mundo que precisam de apenas 4 pessoas para cuidar de toda a operação, como o de Los Angeles, nos Estados Unidos e o de Hamburgo, na Alemanha. Alguns guindastes já não têm nem operador, tudo é executado por computadores dotados de Inteligência Artificial.”

E finaliza: “fica a pergunta: no futuro, será que teremos embarcações autônomas? Alguns armazéns como os da Amazon não tem ninguém lá dentro, só computadores e robôs recebendo pedidos e despachando entregas. O que vemos para o futuro é o uso de robôs cada vez mais frequente em tarefas repetitivas. Isso necessariamente reduz os custos enquanto diminui a incidência de falha humana.”

A importância do fator humano

No entanto, isso não significa que o elemento humano deixou de ser importante. Assim pensa Fabio Viana: “na logística, de uma forma geral, a gente busca fazer o melhor processo, com a melhor tecnologia possível, com a finalidade de entregar o maior valor para os nossos clientes.”

“Digitalizar não é perder o contato físico ou humano. Trata-se de aplicar a energia no que é importante, como a construção de ideias e de pensar o futuro em conjunto. Tudo que é extremamente repetitivo, insalubre e perigoso pode ser delegado para as máquinas. O trabalho do robô permite que ao ser humano sejam reservadas as decisões mais nobres, aumentando assim sua margem de acerto.”

Dessa forma, a digitalização de processos logísticos é um caminho sem volta, no qual os benefícios e vantagens percebidas são mútuos. Ganham as empresas com a redução de falhas e custos e ganham clientes, que passam a contar com serviços melhores.

Então, gostou da matéria? Continue no blog da Wilson Sons e fique bem informado. Conheça os impactos da Indústria 4.0 no agenciamento marítimo!

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