Embarcações de apoio Offshore: entenda o cenário desse mercado no Brasil

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O mercado de embarcações de apoio Offshore é, de certa forma, um termômetro da economia em escala global. Isso porque o aumento na demanda por esse tipo de navio indica um volume maior de negócios sendo realizado em função da maior atividade portuária e em alto-mar.

Nesse sentido, estatísticas divulgados no portal Markets and Markets apontam que, entre 2018 e 2023, o Offshore Support Vessel Market mundial deverá crescer em cerca de 5%. Contudo, com a atual pandemia do Coronavírus (Covid-19) essas projeções devem ser modificadas.

Sobre essa mudança de rumos e para esclarecer sobre os impactos da atual crise no contexto brasileiro, convidamos Gustavo Machado, da unidade de negócio UltraTug Offshore da Wilson Sons. Avance na leitura e veja o que o especialista diz sobre esse momento de dificuldade e suas expectativas para o futuro.

O mercado de embarcações de apoio Offshore pré-Coronavírus

No embalo do crescimento das operações ship-to-ship, inclusive no Brasil, as estimativas até o início de 2020 para o mercado de embarcações de apoio Offshore eram animadoras. Segundo Gustavo Machado “2020 seria um ano de recuperação, já que algumas licitações estavam em curso para contratação de vários tipos de embarcações. Tivemos uma redução de frota em 2019, mas essa queda foi contida e, em 2020, havia uma possibilidade de retomada do crescimento. Tudo se desenhava para ser um ano de bons resultados para esse mercado”.

No entanto, essa expectativa, que até então era reforçada pelos números, foi totalmente alterada em função da pandemia do Coronavírus, decretada pela OMS em 11 de março. A partir desse cenário inesperado, toda a programação e planejamento para as operações tiveram que ser modificadas. De acordo com Gustavo Machado “as atividades de perfuração foram temporariamente suspensas, levando ao adiamento do início dos projetos”.

Nesse contexto, continua Gustavo, a “produção terá que ter suas metas revistas, o que deverá provocar uma redução no curto prazo. As empresas certamente já estão em contato com seus fornecedores, com os quais devem estar discutindo algum plano de contingência. Somente com o retorno à normalidade serão retomados os contratos tal como estavam delineados antes da pandemia”.

Os impactos da pandemia no mercado

No entanto, por mais grave que a crise seja, existe a certeza de que o setor de embarcações de apoio Offshore voltará a se fortalecer quando o pior passar. A questão, no caso, não é se haverá recuperação, mas quando ela terá início. Essa é, pelo menos, a expectativa do especialista da Wilson Sons: “esperamos que o período de recuperação seja o mais curto possível e que a fase mais aguda da crise passe logo. A verdade é que 2020 era um ano que vinha com uma perspectiva interessante e a pandemia do novo Coronavírus mudou totalmente essa visão”.

Considerando essa mudança brusca de planos, as empresas que contratam Offshore Support Vessels tendem a tomar dois rumos: a suspensão ou a interrupção de contratos. No primeiro caso, há apenas uma parada temporária nos serviços para posterior cumprimento. Ou seja, se uma embarcação for contratada por 500 dias, com a suspensão, esse período só será cumprido quando voltar à normalidade. “É uma situação distinta de uma interrupção, na qual o contrato é cancelado sem previsão de retorno”, esclarece Gustavo Machado.

As influências dos acordos entre produtores de petróleo

Somada à interrupção nos leilões de petróleo e à crise provocada pela pandemia, o mercado de embarcações Offshore brasileiro ainda sofreu outros abalos recentes. O principal deles foi o resultado da reunião entre os representantes dos países membros da OPEP em 6 de março. Nela, uma dissensão entre sauditas e russos levou o preço do barril do petróleo a despencar para 20 dólares, o menor valor dos últimos 18 anos.

Nesse contexto, Gustavo Machado espera que, no médio prazo, o panorama se estabilize: “havia muitos projetos de perfuração sendo conduzidos e novos campos a serem explorados. Por isso, a gente espera que esses projetos sejam retomados a partir do momento que a fase mais difícil da crise passar”.

O especialista destaca também a estratégia adotada pela Wilson Sons, que tem focado em operações utilizando navios de apoio do tipo Platform Supply Vessel (PSV). O motivo para isso é a maior versatilidade dessa embarcação que, de acordo com Gustavo Machado “pode ser modificada para atender a outros tipos de operações como carregar suprimentos de carga, além de poder ser convertida para operar como Oil Spill Recovery Vessel (OSRV), usada para conter derramamento de óleo no mar. Navios PSV também podem ser utilizados em operações de mergulho raso, para apoio de equipes de ROV e equipes de mergulho mobilizadas”. 

As expectativas para o curto prazo

Todo esse contexto aumenta ainda mais as incertezas “a gente vê uma fase mais aguda de pelo menos 60 dias, nos quais os impactos no mercado serão mais severos. De qualquer forma, é sempre muito difícil traçar estimativas em momentos difíceis como o de agora. O que esperamos é que o movimento observado na fase “pré-Coronavírus” se concretize a partir do momento em que estiver estabilizada a situação”.

Perspectivas para o futuro 

Assim como o segmento de embarcações, as projeções para o mercado de O&G — Óleo e Gás (Oil and Gas) —, no Brasil, são de crescimento. De acordo com a RBNA Consult, ao longo dos próximos dez anos, devem ser gerados investimentos de cerca de US$200 bilhões nesse setor.

No entanto, a atual crise gerada pela pandemia deve provocar uma desaceleração também nessa área, agravada pelo atual estado de divergência entre as lideranças da OPEP.

A postura das grandes empresas em um cenário de incertezas

De qualquer forma, é nos momentos difíceis que as grandes empresas mostram o seu real valor. Nesse aspecto, Gustavo Machado destaca o papel desempenhado pela Wilson Sons “graças à nossa solidez financeira e à capacidade operacional, podemos administrar melhor momentos de crise mais severos como o atual. Isso garante o nosso compromisso inegociável com a segurança que, para nós, é condição sine qua non — indispensável — em todas as nossas atividades”.

Finalizando, o especialista acrescenta que “o mercado de embarcações de apoio Offshore deve se recuperar, mas, no longo prazo, é difícil fazer qualquer prognóstico. Por isso, vamos trabalhar no curto e médio prazo, esperando que a normalidade volte o mais rápido possível”.

Aproveite e não deixe de conferir o artigo em que destacamos a importância da agência marítima no mercado Offshore.

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