Por que empresas de petróleo estão entrando no mercado de energia sustentável?

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Muitas pessoas consideram a pesquisa em energia sustentável como uma adversária no mercado de Óleo & Gás (O&G). Como se uma pudesse eliminar a outra. Mas por que, então, tantas empresas que extraem, refinam e distribuem petróleo estão investindo nesse novo paradigma energético?

Neste artigo, convidamos o palestrante e autor Marcelo Gauto, para desmistificar o assunto. O químico industrial especialista em Petróleo, Gás e Energia nos ajuda a entender tudo sobre esse movimento histórico no setor. Confira!

As empresas de petróleo que estão produzindo energia sustentável

Quando o assunto é energia sustentável, as empresas de O&G já estão há muito tempo investindo em pesquisa e desenvolvimento — mais do que a maioria das pessoas imaginaria. Segundo Marcelo, desde o protocolo de Kyoto, ainda em 1997, o mercado se vê incentivado a fazer a transição gradativa para matrizes mais limpas de energia.

E aqui temos um ponto importante a ser discutido. Esse movimento não é brusco como imaginado, em que o petróleo seja abandonado completamente da noite para o dia. O foco inicial dessa transição é na eficiência energética, na redução de consumo e na diminuição e reciclagem de resíduos gerados pela cadeia produtiva.

É um equilíbrio entre desenvolvimento, custos associados e oportunidades para que essa mudança seja benéfica para a sociedade e mercadologicamente vantajosa para as empresas. E muitas organizações no mundo inteiro estão apostando nisso. Marcelo aponta algumas dessas iniciativas.

Ele diz: “Total, Shell, BP e Equinor são as mais expoentes empresas do setor de Óleo e Gás que destinam hoje investimentos anuais na casa do bilhão de dólares em fontes alternativas de energia.” Ele dá também alguns detalhes sobre como cada uma delas tem abordado a necessidade de uma disrupção no mercado.

O químico industrial diz: “A BP e a Shell têm investimentos em biocombustíveis no Brasil, usinas eólicas nos Estados Unidos, ativos de energia solar e dezenas de milhares de pontos de recargas de veículos elétricos espalhados pela Europa, entre outros investimentos.”

Ele continua dizendo sobre a francesa Total e sua capacidade instalada em energia voltaica, além da norueguesa Statoil que mudou seu nome para Equinor. Este é o ponto central para as empresas do setor neste momento: o foco no petróleo passa a ser um foco em energia como um todo. Uma reorganização de mindset que está acontecendo ao mesmo tempo dentro dos escritórios e lá fora na sociedade.

Os benefícios para a empresa

Além da preocupação social, os negócios em O&G buscam também vantagens mercadológicas e competitivas quando buscam novas formas de produzir energia. Veja quais são esses benefícios.

Vanguarda tecnológica

Em setores muito competitivos, ter domínio de tecnologia de ponta é fundamental para oferecer produtos melhores, mais baratos e com mais eficiência.

A transição para modelos sustentáveis de energia é inevitável no futuro. Quem já investe hoje, vai chegar muito mais preparado para quando isso for uma necessidade de sobrevivência no mercado.

Diversificação de negócios

Como notamos, a transição de matrizes energéticas não será por substituição — pelo menos em um primeiro momento. Será uma adição aos modelos já estabelecidos. Ou seja, quem investe ganha diversificação para ganhar mais mercado. Em um setor com preços e condições que flutuam muito, é interessante ter outras frentes nas quais competir.

Marketing positivo

Não dá para desassociar a busca por energia sustentável e como isso impacta na imagem da empresa para o público. Além de responsabilidade social, essa pesquisa é uma grande força de marketing para as empresas que estão desbravando um novo futuro.

Os benefícios para a sociedade

A vantagem desse movimento para a humanidade como um todo é evidente: energia sustentável significa menos acidentes socioambientais, menos poluição e suas implicações indiretas. Afinal, essa preocupação pode impactar na saúde pública, no gasto com tratamento de poluentes e medidas de contenção.

Em um futuro mais à frente, ainda podemos pensar em uso mais fácil e abundante de matrizes renováveis menos poluentes, com múltiplos agentes, descentralizados, com empresas de todos os tamanhos e, assim, aumentando e democratizando exponencialmente nossa capacidade produtiva. 

A situação atual do mercado

Recentemente, o próprio mercado vem obrigando empresas de O&G (Oil & Gas) a tomar suas medidas em direção a essa transição de matrizes energéticas. O preço do petróleo, com altos e baixos faz algum tempo, pesa na hora de decidir novos investimentos.

O Brasil é um bom exemplo para analisarmos como essa transição já está em movimento sem limitar o setor. Marcelo nos conta: “O volume de etanol anidro e hidratado é hoje superior ao de gasolina do tipo A produzido nas refinarias de petróleo do país. Até 2030, é esperado que a produção de etanol aumente em, pelo menos, um terço do que temos hoje. O uso de fontes renováveis de energia cresce a cada ano a taxas superiores à dos fósseis. Na última década, o consumo de energia eólica cresceu pouco mais de 20% a.a. e o de solar quase 50% a.a. No mesmo período, o consumo de petróleo cresceu 1,2% a.a.”

As perspectivas para os próximos anos

A pandemia da Covid-19 afetou todo o mercado em todos seus setores, o que torna também difícil dimensionar seu impacto no futuro a curto prazo para O&G. Como o próprio especialista conta, agora é hora de sobreviver à tempestade, para só então apontarmos as velas para a melhor rota.

Independentemente disso, existe um futuro que podemos vislumbrar como inevitável. Marcelo aponta o que deve acontecer no mercado a longo prazo: “Se os preços do Petróleo e Gás se mantiverem baixos, os investimentos tanto em fósseis como em renováveis (biocombustíveis em especial) serão menores e mais seletivos. É um cenário desafiador para todas as empresas de energia.

O desenvolvimento de novas tecnologias ganha ainda mais importância para que tenhamos algo disruptivo no mercado, capaz de impulsionar a energia limpa. A redução de custos na produção do Shale norte-americano e do pré-sal brasileiro são provas de como a tecnologia é capaz de modificar um cenário. Não há motivos para crer que isso não possa ocorrer com outras fontes de energia.”

A conclusão para essa discussão não poderia ser outra: as empresas em toda a cadeia produtiva de O&G têm uma responsabilidade social e uma necessidade competitiva para investir em tecnologia e disrupção no mercado. A ideia não é substituir de vez o petróleo, mas aproveitar energia sustentável para ampliar o mercado e suas possibilidades. Quem está investindo nisso hoje é quem vai se destacar nesse futuro.

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