Exportações em 2021: conheça as perspectivas de diferentes mercados

exportações em 2021
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A crise econômica mundial, dinamizada pela pandemia, tende a trazer grandes efeitos para as exportações em 2021 — ainda que os insumos tenham sido declarados como prioridades nacionais em 2020. Porém, além dela, diversos outros fatores podem impactar as relações de exportação marítima entre o Brasil e outros países. Alguns deles são as especificidades e volatilidades de cada setor.

De modo a saber mais sobre o que esperar de diferentes mercados, entrevistamos Thiago Pierry — executivo comercial da Wilson Sons — e Emanuel Andrade — gerente comercial. Eles apresentaram suas visões em relação aos reais impactos da pandemia, tendências de exportação no Brasil e perspectivas para o ano de 2021. Acompanhe!

Como a pandemia impactou as exportações brasileiras?

Mesmo que a representatividade no mercado nacional tenha sido mantida em função da priorização do governo aos insumos, ainda houve impacto — e será possível percebê-lo nas exportações em 2021. Isso, em especial, uma vez que a pandemia ainda mostra sinais de que continuará a afetar os mercados ao redor do mundo.

Em termos positivos para a economia nacional, em 2020, alguns benefícios foram percebidos. Entre eles está o aumento das vendas das carnes, a liberação dos frigoríficos após apenas um mês de fechamento, o crescimento das exportações de frutas ricas em vitamina C e a maior exportação da soja.

Contudo, diversas outras áreas sofreram com um cenário econômico instável. Inclusive, uma pesquisa da CNI, a Confederação Nacional da Indústria, revelou que 57% das companhias nacionais reduziram suas exportações em razão da pandemia.

Ainda que esse dado seja notável, não foram apenas os mercados que sofreram com a pandemia. Os profissionais que trabalham com exportações também sentiram seus efeitos. Com novos hábitos de higiene pessoal, preocupações com o estado de saúde e relacionamentos distanciados, foi preciso rever a forma de trabalhar.

Nesse sentido, Pierry fala sobre o que os executivos comerciais e profissionais afins entenderam. “Aprendemos a ser mais ágeis no que diz respeito à documentação, troca de mensagens e atendimento aos clientes”, diz ele.

De fato, o atendimento ao cliente e a solução ágil de problemas ganharam destaque em 2020. Essa — e as demais tendências apresentadas — tendem a reverberar no ano de 2021. Elas representarão os aprendizados dos profissionais, as tentativas de diferentes segmentos de se reerguer e a manutenção daqueles que não sofreram grandes impactos.

Quais as perspectivas do mercado para 2021?

Commodities como a soja tendem a se manter em alta. A Agroconsult projetou a exportação de 83,2 milhões de toneladas em 2021. No ano de 2020, esse valor foi de 82,3 milhões de toneladas.

Esse dado representa uma tendência de que os mercados fortes, especialmente em termos de exportações, se mantenham assim. Por outro lado, segmentos que contavam com constante crescimento, mas sofreram queda no início de 2020, iniciarão seu processo de reversão.

Segundo Andrade, a exportação brasileira não pode ser percebida de forma genérica. “Por se tratar de commodities, o tema apresenta variáveis imensas. Contudo, de maneira geral, o agronegócio será visto, mais uma vez, com otimismo. Isso porque o papel do Brasil como ‘celeiro do mundo’ está bastante consolidado”, diz o profissional.

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E, na visão de Pierry, a perspectiva para esse setor também é bastante positiva. “O fato de termos encerrado o mês de dezembro com uma enorme parcela da safra 2020/2021 já negociada para exportação em 2021, antes mesmo da sua colheita, (cerca de 50%) já traz uma boa perspectiva para o cenário”.

Ele complementa: “os portos, por sua vez, estão apresentando melhorias e um aumento em suas movimentações. Isso nos leva a crer em safras escoadas com cada vez mais agilidade”.

Que produtos que serão mais exportados pelo Brasil?

Para Andrade, os grãos se destacam. “Produtos como soja, açúcar e milho (esse último, em tratativas de impulsionar exportações a China) devem manter-se em crescimento”, diz ele. A previsão vem independentemente da projeção de crescimento e maior presença de concorrentes internacionais, como os Estados Unidos para soja e milho, e a Índia para o açúcar.

Outro produto citado pelo executivo comercial é o minério de ferro. “Ele é um grande protagonista de nossas exportações e apresenta uma projeção de aumento dos preços internacionais”, confirma o entrevistado. Desse modo, espera-se que haja um impulso das vendas no exterior. Isso, caso a produção e extração do minério sigam, também, um ritmo acelerado.

Por fim, é citado o petróleo. A commodity sentiu a volatilidade do ano de 2020, em especial com a pandemia. Isso se refletiu em preços altos e com alto grau de oscilação. Ainda assim, de acordo com Pinheiro, a projeção recente da Petrobras traz uma perspectiva de aumento de exportação.

Já para Pierry, o destaque vai para a celulose. “Ela é uma mercadoria que recebe investimentos concisos. Logo, deve manter-se em crescimento, tendo em vista, também, o fato de duas empresas líderes no mercado estabelecerem novos terminais em Santos para escoamento do seu produto”, aponta o especialista.

Esse movimento tende a demandar maior movimentação de navios, afetando diretamente as exportações em 2021. Os resultados do cenário, porém, deverão ser vistos a partir de setembro, se solidificando em 2022.

E os menos exportados?

Em termos de produtos menos exportados, Andrade fala sobre os industrializados e manufaturados. Além da queda na exportação ser uma tendência já observada há anos, sua competitividade segue diminuindo no cenário internacional.

Mesmo em vista de todas as informações deste conteúdo, é importante observar os desafios enfrentados pela cadeia logística do setor de exportações de todo o mundo. No Brasil, para buscar superá-los, são esperadas algumas mudanças no Siscomex (Sistema Integrado de Comércio Exterior), nos fretes marítimos (ocean freight), no seguro de crédito para exportação e, até mesmo, na base de cálculo do valor aduaneiro das mercadorias importadas.

Esses pontos pedem que profissionais afins ao mercado de exportações em 2021 mantenham-se atentos aos efeitos (ainda imprevisíveis, apesar das projeções) da Covid-19. Nesse sentido, Andrade finaliza: “o mercado de commodities, como falamos, é extremamente volátil. Mas, ainda assim, é o grande carro-chefe das exportações brasileiras”. Então, resta aguardar. 

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