Veja quais são os Impactos da indústria 4.0 no agenciamento marítimo

impactos da indústria 4.0 no agenciamento marítimo
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Os avanços tecnológicos e a influência de novos recursos e ferramentas não são exclusividades em apenas um ou outro setor. Os impactos da indústria 4.0 no agenciamento marítimo, que também é chamado de shipping agency, representam isso muito bem.

Como esse é um tema de extrema relevância para o segmento, preparamos este artigo especial. Para isso, conversamos com a especialista Flávia Carvalho, que é gerente de operações na Wilson Sons.

Ao longo do texto, você encontrará uma série de consequências que as novidades trouxeram para a área. Também mostraremos como o agenciamento se transformou nos últimos anos. Boa leitura!

No que consiste a indústria 4.0?

Em termos bem resumidos, “indústria 4.0” é uma expressão utilizada para caracterizar o “aperfeiçoamento das máquinas e as novas tecnologias para automação e desenvolvimento de novas soluções para os serviços e a produção tradicionais”, explica Flávia. Algumas exemplificações disso são recursos como:

A ideia despontou na Feira de Hannover — uma das mais importantes do setor — na Alemanha, em 2011. O objetivo era representar a quarta revolução industrial, que foi além dos pressupostos estabelecidos por métodos como fordismo e toyotismo, ligando as máquinas ao controle automatizado.

São transformações que atingem não só os meios produtivos, mas o próprio comportamento de consumo. Apesar do nome que o conceito carrega, os impactos não se restringem às estruturas industriais, alcançado as áreas do comércio e dos serviços.

Quais são os impactos da indústria 4.0 no agenciamento marítimo?

Uma das modificações notáveis é o aparecimento de portais eletrônicos e o uso da tecnologia por parte do governo. “Algumas autoridades portuárias, que antes trabalhavam com 100% de seus processos em papel, eram muito burocráticas. Hoje, isso mudou e as rotinas foram otimizadas”, explica Flávia.

“Um exemplo disso é a criação do sistema Porto sem Papel (PSP), cujo propósito é facilitar a análise e a liberação de mercadorias nos portos brasileiros. Com ele, diversos formulários em papel foram convertidos em um único documento eletrônico, o Documento Único Virtual (DUV), o que gerou agilidade e economia”, ressalta Flávia.

Além disso, as possibilidades associadas à utilização de bancos de dados robustos contribuem para a eficácia dos serviços de inteligência portuária. O uso estratégico das informações pode aprimorar negociação de fretes marítimos, que também é conhecido como ocean freight,  por exemplo. Afretadores – ou charterer e armadores – ou carrier podem contar com um suporte personalizado para traçar rotas, compreender as particularidades de cada porto etc.

Eles trazem vantagens significativas? Quais?

A otimização dos processos, a verticalização das etapas e a redução do tempo de espera nos portos são vantagens relevantes. Para Flávia, “a combinação entre esses fatores fará com que o setor se torne mais eficiente”. Porém, para que os benefícios sejam uma realidade consistente, “é preciso fazer uma série de transformações na infraestrutura dos portos”, adverte.

Nesse contexto, o papel do agente marítimo, também conhecido como shipping agent, será voltado à inteligência de mercado e portuária, atuando como um consultor, isto é, alguém que trabalha com dados e informações ricas, que fazem a diferença no dia a dia de outros profissionais. O chamado “atendimento físico”, feito na presença das embarcações, continuará relevante, mas tende a ser cada vez mais pontual.

“Precisaremos mudar o método de contratação e capacitação dos nossos colaboradores. Eles terão um papel fundamental nesse novo ambiente de trabalho, pois a evolução certamente passará por eles e pelo que podem oferecer”, completa a gerente de operações.

Quais são as tecnologias adotadas pelo shipping agency atualmente?

Conforme a perspectiva de Flávia, “o blockchain representa a grande transformação do setor, porque qualifica vários parceiros comerciais”. Ele também será o responsável por estabelecer uma única visualização sobre as transações. “Os envolvidos poderão verificar os detalhes, sem que isso comprometa a privacidade ou a confidencialidade dos negócios”, justifica.

O blockchain começou a ganhar destaque há menos de uma década, quando se tornou conhecido por viabilizar a transações envolvendo criptomoedas, como o bitcoin. De maneira geral, ele se assemelha a um livro de registros contábeis, cujas entradas ficam espalhadas em vários computadores.

Como os dados estão descentralizados, é quase impossível apagar algo que foi registrado nele, deixando-o seguro — qualquer pessoa pode verificar e auditar as movimentações feitas em blockchain. Para manter a integridade do que está contido ali, o sistema é formado por uma cadeia de blocos. Um conjunto de transações é colocado em cada bloco, que é “trancado” por uma camada de criptografia.

“Transportadores, agentes, importadores e exportadores, despachantes aduaneiros e órgãos do governo, como a Receita Federal, poderão colaborar em processos de negócios entre empresas e com trocas de informações”, aponta Flávia. Para ela, a grande vantagem é que “tudo será apoiado em um ambiente seguro e passível de auditorias”.

O uso de drones portuários também merece ser destacado, tendo em vista que vem ficando mais comum. No ano de 2017, conforme matéria publicada pelo portal G1, a Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo) trabalhou com a iniciativa de usar 16 drones no Porto de Santos. Os dispositivos podem ser acionados sempre que necessário — em casos de chamados e incêndios, por exemplos.

“O drone já é um realidade para entrega de documentos e peças. Muitos testes estão acontecendo em Cingapura. De qualquer modo, ainda temos que avançar na regulamentação e na criação de áreas portuárias apropriada para esse tipo de operação”, analisa Flávia.

Existem perspectivas para o futuro?

Segundo a visão de Flávia, alguns ajustes ainda devem ser feitos. “Como o agenciamento marítimo é um setor com burocracia elevada, ainda estamos na fase de converter os dados para o formato digital. É por isso que o uso do blockchain nos ajudará a mudar de patamar”.

Apesar dos desafios, variados avanços já saíram do campo teórico. Na última convenção da International Maritime Organization (IMO), realizada em abril de 2019, estabeleceu-se um requisito obrigatório relacionado à Facilitação do Tráfego Marítimo Internacional (Convenção FAL).

“Isso serve para que os governos introduzam a troca eletrônica de informações entre navios e portos. Dessa forma, teremos a redução da carga administrativa, aumentando a eficiência do comércio marítimo e do transporte de cargas”, indica a especialista.

Enfim, os impactos da indústria 4.0 no shipping agency são animadores, já que podem deixar o setor bem mais produtivo. Com o tempo, a tendência é que as alterações sejam adaptadas ao contexto brasileiro.

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