Indústria 4.0 na logística: o que é e quais os benefícios para o setor?

Indústria 4.0 na logística
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A indústria 4.0 mexeu com a forma de trabalho da indústria, modernizou os serviços e impactou na logística. Conheça o que de melhor a revolução industrial moderna está trazendo para o setor e saiba também os cuidados para sua implementação!

Um cenário em que os dados se cruzam, os terminais operam em sintonia tecnológica, as informações são obtidas e trocadas de forma simples, transparente e acessível, os sistemas se comunicam, o acesso é inteligente. Bem-vindo à revolução 4.0!

Quem pensava que a logística fugia a essa inovação, estava enganado. A nova revolução veio para todos os processos industriais e vai transformar a forma de trabalho — um conceito que merece ser estudado.

Por isso, conversamos com Patrícia Iglesias, diretora comercial do Tecon Salvador e da Wilson Sons Logística, para entendermos melhor sobre esta inovação.

Para chegar até a indústria 4.0 na logística

O mundo passou por três revoluções industriais. A primeira, aconteceu entre 1780 e 1830, trouxe a invenção das máquinas movidas a vapor. Na época, a indústria têxtil e do algodão estavam em ascensão e o trabalho era pago por peça para o trabalhador. No universo do transporte, as ferrovias também marcaram espaço nessa época.

A segunda revolução veio no período pós-guerra e levou ao desenvolvimento da indústria metalúrgica, siderúrgica e química. Junto a isso, somaram-se os métodos de produção idealizados no início do século XX, onde se destacam o Fordismo (1914), que prezava pela produção em série, e o Taylorismo (1911) que, entre outros movimentos, separava o trabalho intelectual do trabalho manual.

Foi quando, a partir da década de 1970, uma grande demanda por tecnologia criou a necessidade da mão de obra mais especializada. Essa foi a era de ouro para o Toyotismo que, por meio de uma política de qualidade total, estabelecia o padrão de trabalho horizontalizado com cooperação, co-participação e terceirização de serviços.

Foi então que durante a Feira de Hannover, na Alemanha, em 2011, surgiu o termo indústria 4.0, num trabalho que apresentava a união das máquinas com sistemas inteligentes. Uma tecnologia que possibilitava a automação e o melhor controle das etapas na cadeia de produção.

Como a indústria 4.0 impacta na logística

A indústria 4.0 está mudando o patamar da automação dos processos de fabricação. Para Patrícia Iglesias, a coleta de dados se aprimorou, “anteriormente a produção em massa era o principal objetivo, agora, além da produção em série, os equipamentos e máquinas operam de forma independente, sendo capazes de coletar e analisar dados e direcioná-los da melhor forma para que cooperem com os colaboradores e profissionais envolvidos”, expõe.

A logística, nesse ponto, continua sendo uma base importante para o processo produtivo, pois racionaliza a dinâmica da cadeia de suprimentos, buscando que o produto certo seja entregue no momento exato. Tudo isso no local e na condição adequada “e, talvez o mais importante, com o custo correto”, completa a diretora comercial.

Dessa forma, o movimento impulsionado pela indústria levou a logística a se tornar 4.0 também. “A necessidade de transparência na cadeia de suprimentos, a gestão de todos os processos online e full time associada à demanda de mão de obra direcionada à inovação, trouxe para o dia a dia da logística conceitos importantes como a internet das coisas, integração de sistemas, cloud computing, análise da Big Data entre outros”, explica Patrícia.

Os benefícios da indústria 4.0 na logística

Otimização da execução do processo produtivo poderia resumir os grandes benefícios da indústria 4.0 na logística.

Para Patrícia Iglesias, a redução de custos e tempo e a melhor utilização dos recursos, inclusive o capital humano, com a gestão e controle por meio de indicadores dinâmicos online e em tempo real proporcionam o que ela chama de “um salto de produtividade”.

As principais aplicações da indústria 4.0, tais como Big Data, automação, biometria, inteligência artificial e uma série de outras abordagens disruptivas, agilizaram as operações aumentando sua segurança e transparência. Essas inovações trazem novas formas de trabalho onde as tarefas repetitivas não têm mais tanto espaço. O novo cenário exige um aumento de atuação no planejamento e na operação remota, criando novas profissões, melhorando a qualidade do trabalho para todos e, consequentemente, otimizando as entregas e o desempenho organizacional.

Os cuidados com a implantação do sistema 4.0 na logística

Para além do salto produtivo, Patrícia adverte que “a automação inteligente de processos produtivos deve ser realizada de forma gradual, pois faz-se necessário que os stakeholders estejam preparados para esta mudança”.

Para ela, implantar os conceitos do 4.0 sem considerar a interação com clientes, colaboradores, fornecedores e meio ambiente pode gerar instabilidade e causar rupturas que inviabilizam a continuidade do negócio.

“O processo de inovação deve ter início na gestão dos recursos humanos da companhia”, aconselha Patrícia. Levando em consideração que os conceitos do 4.0 criam muito mais uma cultura que um procedimento, para ela, faz sentido que tudo comece pelo lado humano. “A partir deste ponto, os profissionais passam a se sentir engajados ao transformar o ambiente em que trabalham. Além disso, inovar tem sempre o objetivo de otimizar tarefas e processos, os tornando mais competitivos”, adiciona.

Principais pilares da indústria 4.0

Interoperabilidade, Virtualização, Capacidade em Tempo-Real, Pensamento Disruptivo e Modularidade. Todos esses termos, ligados a forma de trabalho na nova indústria, se aliam e se consagram como pilares do conceito da indústria 4.0 na logística.

Uma indústria que leva consigo esses conceitos é capaz de otimizar sua operação e desempenho através da atuação pautada no acesso a dados e o cruzamento de informações com mais precisão e acerto.

Ainda, para Patrícia Iglesias, os pilares principais da indústria 4.0 podem ser encontrados no desenvolvimento humano organizacional somado ao direcionamento da alta liderança para a busca incessante por inovação. Segundo ela, o que “garante investimento consistente”.

Patrícia também cita compliance na integração de processos na cadeia de suprimentos como um dos principais pilares a ser destacado nessa inovação.

Resultados do conceito 4.0 no cotidiano da logística

Os bons resultados de uma aplicação refinada do conceito 4.0 comprovam que estamos diante da quarta revolução industrial.

Os dois terminais do Grupo Wilson Sons operam em sintonia tecnológica. “Ambos possuem sistemas de automatização e de atendimento ao cliente de forma digital, sem perder a humanização que a gestão dos dados necessita para que sua qualidade seja legítima e verdadeiramente inteligente”, conta a diretora comercial. Alguns exemplos de tecnologias aplicadas aos dois terminais são o Portal do Cliente, o acesso de caminhões com biometria, a leitura das informações dos contêineres via OCR (Reconhecimento Ótico de Caracteres), o robô Automate, que faz a leitura de documentos para a presença de carga, o scanner que lê dados da carga no caminhão e o sistema de gestão integrado Navis N4.

“Estamos falando da logística automatizada, que vem para trazer respostas rápidas, tornando possível a todos os envolvidos no transporte de carga acompanhar o deslocamento dos produtos em tempo real, de modo acessível e com as devidas informações”, indica Patrícia. São tecnologias que conseguiram trazer mais transparência, segurança de dados e menos erros. Além de oferecerem respostas em tempo real e online.

Segundo Patrícia, desde dezembro, entrou em funcionamento o XVela, uma plataforma em nuvem colaborativa, que permite que terminais portuários e armadores usem o mesmo sistema online para tratar da operação do navio e monitorarem o transporte de uma carga em tempo real. “As mudanças não param e a reformulação continua”, finaliza.

Se você gosta de conhecer sobre a processos que revolucionam a logística e criações que facilitam a vida de seus operadores, leia também nosso texto sobre o Portal Único de Comércio Exterior.

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