Investimento em infraestrutura: o que vai mudar na logística do país?

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O investimento em infraestrutura sempre foi uma das bases para a economia de um país: ela agiliza e barateia processos logísticos em toda a cadeia — para quem produz, transporta e comercializa.

É isso que o Governo vem entendendo nos últimos anos, tentando apostar nas parcerias com o setor privado para dar aos empresários brasileiros condições à altura de sua evolução competitiva no mercado.

Quer saber qual é o plano para diminuir esse abismo entre qualidade de infraestrutura e o desenvolvimento produtivo do país? Com ajuda de Fernando Villela, Head of Business Development na Wilson Sons, vamos tentar enxergar o que vem por aí. Vamos lá?

Qual é a ideia do Governo para alavancar a infraestrutura brasileira?

Se tem uma reclamação em comum de todo empresariado brasileiro, com certeza, é a nossa infraestrutura de transporte e comercialização. O Brasil possui uma série de gargalos que atrapalham a vida, principalmente, de quem quer exportar e importar produtos a preços competitivos dentro e fora do país.

Esse atraso já é tão evidente que, mesmo em um momento complicado de ajustes de contas, o Governo viu a necessidade de buscar meios para viabilizar esses investimentos. A resposta, principalmente, vem do setor privado.

O Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) atual foi criado em 2016 para desenvolver projetos estratégicos no setor de infraestrutura, mas apenas agora está sendo acelerado por ventos favoráveis de mercado. Villela explica:

“No atual cenário de juros baixos e inflação controlada, o Pacote de Investimentos de Infraestrutura pode destravar gargalos históricos da nossa cadeia logística e ajudar a deslanchar o crescimento da economia brasileira.”

A ideia é fazer a concessão de áreas-chave como portos, aeroportos e vias de escoamento, para que a iniciativa privada seja incentivada a ampliar, melhorar e desenvolver o funcionamento do aparelho público.

Inclusive, a busca é também por investidores estrangeiros — foco nos grandes mercados como Estados Unidos, Europa, Oriente Médio e Ásia. O Governo quer aproveitar a oportunidade para injetar recursos nos cofres público e, assim, ajudar ainda mais a economia interna.

Quais áreas serão mais beneficiadas?

O objetivo dos investimentos em infraestrutura no Brasil não pode se dar ao luxo de ser seletivo. Toda a nossa cadeia de logística e transporte precisa de recursos para se chegar ao ponto em que as empresas nacionais precisam que ela alcance.

Dito isso, as concessões nesse novo programa focam, inicialmente, nos grandes terminais e no caminho até eles. Villela faz um balanço atual:

“Em 2019, foram concedidos 12 aeroportos (6 no Nordeste, 4 no Centro-Oeste e 2 no Sudeste), o trecho da Ferrovia Norte-Sul entre Porto Nacional (TO) e Estrela d’Oeste (SP), 437 Km das rodovias BR-364 e BR-365 entre Uberlândia (MG) e Jataí (GO), além de terminais portuários nos Portos de Belém (PA), Vila do Conde (PA), Cabedelo (PB), Vitória (ES), Santos (SP) e Paranaguá (PR).”

As negociações vão desde a concessão até a venda e participação acionária em alguns ativos. A meta final é incluir nesse projeto cerca de 15 mil quilômetros de ferrovias e 16 mil quilômetros de rodovias, totalizando um investimento na casa dos 200 bilhões de reais.

Como essa busca por investimentos em infraestrutura está evoluindo?

Como é um programa complexo e que envolve diversas formas de concessão e venda, é impossível fazer tudo de uma vez — ainda mais em um país com as proporções do Brasil.

Mas o importante é que o PPI está avançando, com diferentes graus de maturação desde fases de estudo até a elaboração de editais de licitação. A maior parte desses projetos deve ser licitada até 2022. Villela dá o exemplo de um desses processos em andamento:

“Na minha opinião, os projetos mais importantes são a construção da Ferrogrão — investimento de R$13 bilhões que vai abrir mais uma rota para o escoamento da safra de grãos pelos portos no Arco Norte —e a reativação da Ferrovia Rio-Vitória, que vai conectar os terminais portuários dos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo à malha ferroviária de Minas Gerais, facilitando o transporte de produtos agrícolas e de Minério de Ferro.”

Como esses investimentos vão afetar a importação e exportação marítima?

Quando falamos em fomentar a economia brasileira, as pontas de todos os caminhos da infraestrutura levam ao mesmo destino: o comércio internacional. Exportar e importar depende muito da logística interna e da força da economia para que empresas cheguem em outros mercados com preços competitivos.

Nesse sentido, o setor marítimo faz parte central do programa. O pacote inclui o arrendamento de 8 terminais portuários (1 de Contêiner, 4 de Combustíveis, 2 de Celulose e 1 de Granel Sólido) e a privatização de 3 autoridades portuárias até 2022.

Fernando Villela conta que o projeto mais avançado é o do 2º terminal de contêineres no Porto de Suape (PE) que está em fase de elaboração de edital. Esse edital deve ser lançado até o final de 2019 e o leilão, possivelmente, será realizado no primeiro semestre de 2020 com um investimento previsto de R$1,2 bilhão de Reais.

Outros portos estão em momentos parecidos do processo, já que essa é uma das prioridades do Governo. Até a privatização de Autoridades Portuárias está em fase de estudos.

Competitividade para exportadores

Principalmente para quem importa, o desenvolvimento dessa infraestrutura é fundamental. Falando sobre os caminhos que o produto percorre, um escoamento mais rápido e barato garante lucratividade para o empresário.

Já na modernização e ampliação dos portos, esse programa pode baratear e agilizar processos aduaneiros e de logística no local, fazendo a produção chegar mais rápido e barata aos países de destino. Ou seja, o PPI é um projeto para ficar de olho se você quer mais competitividade em novos mercados. É o que o Villela conta em sua conclusão:

“A concessão desses terminais garante o investimento em expansão e compra de equipamentos, melhorando a operação dos nossos terminais portuários via aumento de produtividade e redução de custos operacionais.A redução no custo logístico gera um impacto positivo em todos, já que reduz o custo tanto das empresas como dos consumidores em geral, que vão pagar menos pelo frete e receber as suas compras mais rápido.”

O maior gargalo de nossa economia está contando agora com o setor privado. Com esse investimento em infraestrutura, podemos ficar otimistas para um cenário mais equilibrado, com menos desperdícios e muito mais competitivo no futuro.

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