Como é a logística de transporte no mercado de O&G

logística de transporte no mercado de o&g
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A logística de transporte no mercado de O&G (Óleo e Gás) é um dos aspectos de maior relevância para quem atua no setor, concorda? Afinal, é por meio dela que o sucesso de muitas operações é definido.

No entanto, quais são as principais dificuldades enfrentadas por aqueles que executam essa atividade em seus cotidianos? Quais pontos são analisados antes de escolher um transporte para determinado tipo de carga?

Para responder a essas e a outras questões, entrevistamos Carlos Döhnert, que atua como gerente geral na Blue Water Shipping (BWS) — empresa que oferece serviços globais de logística. Acompanhe o conteúdo até o fim para saber mais a respeito!

Quais são as principais dificuldades enfrentadas na logística de transporte no mercado de O&G?

Segundo o especialista, a logística de transporte nesse mercado conta com grandes dimensões e essa é uma das maiores causas das dificuldades enfrentadas pelo setor. “O uso de equipamentos especiais se faz necessário, assim como o planejamento para viabilizar um transporte rápido e seguro no modal indicado para cada caso: rodoviário, marítimo, aéreo ou uma combinação entre várias dessas alternativas” comenta.

Outros desafios constantes estão ligados à utilização dos dados e à aderência de recursos tecnológicos a cada modelo de negócio. A possibilidade de simular diferentes rotas e cenários, planejar de forma tática e fazer bom proveito das ferramentas atreladas à indústria 4.0. Afinal, nem todas as empresas de Óleo e Gás conseguem fazer uma avaliação robusta de sua cadeia, analisando de ponta a ponta. Com esses adventos, o desenvolvimento tende a tomar proporções ainda maiores.

Na indústria do petróleo, especificamente, vale chamar atenção para a abertura e para a desregulamentação de mercados que antes eram pouco explorados. Com isso, ocorreu certa desintegração das atividades de algumas empresas que dominavam o mercado até então. Além de gerar novas oportunidades por meio da crescente necessidade, esse fato criou a demanda por um serviço de logística cada vez mais profissional e otimizado em todos os âmbitos e processos.

De acordo com Carlos, as etapas de funcionamento de uma logística no mercado O&G podem ser divididas desta maneira:

  1. análise de viabilidade;
  2. escolha do modal adequado;
  3. planejamento;
  4. operação.

Quais os principais cuidados que devem ser tomados com as cargas e com a logística em geral?

“Os cuidados essenciais a serem tomados com a carga estão ligados à checagem da documentação (Commercial Invoices e Packing Lists, por exemplo), embalagens, pontos de pega e manuseio, excessos nas medidas e partes sensíveis (como equipamentos elétricos e/ou eletrônicos)”, explica Carlos.

Vale ressaltar que, na hora de escolher um transporte para a carga — navio, trem, caminhão etc. —, é preciso checar não só a integridade da carga a fim de evitar avarias, mas também encontrar meios para garantir a segurança de todos os envolvidos com o procedimento em questão e realizar as fases com o menor tempo de trânsito possível.

Para que todas as etapas mencionadas por Carlos sejam aprimoradas, empresas com um certo grau de maturidade organizacional no setor de Óleo e Gás costumam contar com uma plataforma de tecnologia capaz de oferecer suporte para a tomada de decisões na operação.

Ao extrair o petróleo de dentro do mar, por exemplo, é preciso encontrar formas de superar todos os obstáculos existentes e levá-lo até a plataforma com o máximo de aproveitamento. Depois, várias restrições devem ser superadas para que o produto obtido possa chegar às refinarias. Exemplos são as tubulações que ligam os dutos às saídas do produto e, que através de aprimoramentos, podem ser deixar o processo ainda mais seguro e distante dos desperdícios.

Quais são as perspectivas para a logística de transporte no mercado de O&G?

Ao ser questionado sobre como enxerga o futuro da logística para este tipo de carga, Carlos diz que ela “está diretamente ligada ao desenho e à fabricação dos componentes, das partes, das peças e das ferramentas que integram o segmento”. Isso porque as restrições no transporte servem de guia para os fabricantes e para os engenheiros que cuidam da elaboração dos modais utilizados, como navios de carga.

Ele também indica caminhos possíveis para deixar os próximos anos ainda mais favoráveis: “quanto maior for a capacidade logística de solucionar restrições de peso e de tamanho, menor será o tempo necessário para a montagem dos equipamentos no seu destino final — o que reduz os riscos de erros nas montagens”. Isso porque partes e peças maiores significam menor necessidade de manuseio e menos tempo gasto durante a montagem. Por isso, a logística tem de estar em constante evolução tanto nos métodos aplicados quanto nos equipamentos utilizados.

Considerando esse contexto, é oportuno retomar quarta edição do relatório Logistics Trend Radar, publicado pela multinacional DHL. O estudo considera as principais tendências do futuro da logística. Segundo os dados levantados, não seria nenhum exagero dizer que, a partir da análise apurada de um grande volume de dados, é provável que toda a cadeia do setor fique mais transparente. Na prática, isso viabilizaria a otimização de processos e a redução geral de custos.

Ainda de acordo com os dados da pesquisa, a cooperação entre pessoas e máquinas será determinante para que os colaboradores fiquem satisfeitos com os seus respectivos trabalhos, além de diminuir tarefas repetitivas, burocráticas ou meramente operacionais. Outros pontos que terão destaque crescente ao longo das próximas décadas são:

  • uso de drones;
  • inteligência artificial;
  • sensores inteligentes;
  • comunicação ágil e sem ruídos;
  • programas de compliance focados nos riscos;
  • experiência do cliente com os negócios, colocando os clientes em primeiro lugar;
  • responsabilidade ambiental, sustentabilidade e redução das as emissões de CO₂.

As evoluções no mercado de Óleo e Gás também impactarão a logística do setor. O pré-sal, por exemplo, desponta como um laboratório para testar novas tecnologias. É claro que, apesar dos ganhos de eficiência já obtidos, novos riscos se apresentam — é preciso pensar em estratégias para mitigá-los. A logística de transporte no mercado de O&G vem se desenvolvendo bastante. Por isso, é fundamental encarar os desafios e aproveitar as oportunidades que ela traz consigo.

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