Os impactos da logística verde para o setor marítimo e portuário!

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O tema sustentabilidade está cada vez mais em foco. Todos os setores de atuação estão passando por adaptações para que suas atividades ou produtos agridam o mínimo o meio ambiente. Isso não é diferente com a área de transportes, que precisa se adequar à logística verde.

O intuito é evitar os impactos que o setor logístico pode provocar à natureza e, assim, dar a sua contribuição para a preservação do meio ambiente. Essas adequações envolvem os diferentes modais e, logicamente, o setor marítimo e portuário está incluso.

Conversamos com Robert Grantham, Consultor e Sócio da Solve Shipping Intelligence Specialists, para que ele aprofundasse a conversa sobre a logística verde, suas tecnologias, importância e como ela pode impactar os portos e no frete marítimo — ocean freight. Acompanhe!

O que é logística verde?

É importante ter em mente que a logística não se refere apenas ao transporte de produtos e mercadorias. Existem muitas etapas nesse setor, incluindo a armazenagem e o recolhimento final. Por isso, há necessidade de adotar medidas sustentáveis cada vez mais expressivas.

Todas as áreas de atuação estão passando por mudanças adotando estratégias, ações e tecnologias com o intuito de contribuir com a preservação do meio ambiente. No caso da logística verde, ela se refere às adequações do setor logístico para alcançar esse objetivo.

Consiste em buscar alternativas menos poluentes ou impactantes para continuar exercendo suas atividades com eficiência e qualidade, mas sem agredir a natureza. Assim, a logística verde é mais sustentável.

Segundo, Robert “a logística verde deve estar presente desde a saída da fábrica, passando pelos modais de transporte, armazenagem e distribuição, até a etapa de recolhimento final, sempre que possível”.

Assim, a logística reversa, que permite a coleta e restituição dos resíduos sólidos produzidos pela indústria em retorno para ela própria, também está inclusa entre as ações realizadas pelo setor para minimizar as agressões ao meio ambiente.

Entretanto, existem ainda outras tecnologias que podem ser aplicadas com esse mesmo objetivo. Robert cita, por exemplo, o uso de sistemas blockchain para otimizar transações, eliminar o retrabalho, bem como as tarefas manuais e em papel.

Outros exemplos citados pelo especialista são as embalagens recicláveis ou biodegradáveis, o uso intensivo de controladores digitais, a aplicação de TI para otimizar rotas de distribuição e a utilização de veículos elétricos.

Qual é a importância da logística verde?

Dissemos que a logística verde envolve os diferentes modais, então, para denotar a sua importância, é interessante considerarmos as emissões globais de CO₂ (gás carbônico). Robert explica que “um porta contêineres emite 3 gramas de CO₂ por tonelada-quilômetro, enquanto um caminhão, 89 g e um avião, 435 g”.

Sendo assim, podemos perceber que o setor marítimo não é um dos maiores poluentes e, de acordo com o especialista, contribui pouco com o aquecimento global. Ainda assim é responsável por 3% das emissões globais de gás carbônico, por isso, medidas estão sendo adotadas com o intuito de minimizar esse impacto, mas falaremos sobre isso mais a frente.

Considerando o setor de logística, em geral, a adoção de medidas mais sustentáveis é essencial para evitar não apenas a poluição atmosférica, mas também do solo e da água, inclusive pela geração de resíduos sólidos. Robert citou um exemplo pessoal para demonstrar como ações e decisões da logística são fundamentais para minimizar esse impacto:

“Outro dia, recebi uma máquina de lavar roupa nova. Veio embalada com papelão, isopor e plástico. Por falta de uma política adequada do fabricante, fui forçado a descartar esse material no lixo, sabendo, por exemplo, que isopor não é reutilizável e não se decompõe”.

Por esse relato, conseguimos perceber a importância da ação das empresas para oferecer ao consumidor, alternativas de consumo menos poluentes. Aqui, vemos o quanto a logística reversa é fundamental nesse sentido.

Importância para a empresa

Mudando um pouco nosso campo de visão, vemos que a logística verde é fundamental para a sobrevivência das próprias empresas. Sobre isso, Robert esclarece que “na medida em que a consciência ambiental vai criando raízes na população, começamos a perceber um consumidor mais exigente, que demanda produtos ambientalmente sustentáveis”.

Sendo assim, os setores e empresas que não passarem por essa adequação, assumindo a sua responsabilidade ambiental, sofrerão impactos como a perda de mercado. “Terão mais sucesso e no longo prazo sobreviverão, as empresas que demonstrarem um legítimo engajamento com práticas sustentáveis”, ressalta o especialista.

Como a logística verde impacta os portos?

O alerta de Robert é enfático: “com a pressão pelos problemas climáticos aumentando de forma exponencial, não haverá como fugir do tema da conservação ambiental. As empresas deverão adaptar-se”. Isso já vem acontecendo no setor marítimo e nos portos, por meio do investimento em infraestrutura e da adoção de novas tecnologias.

Uma das mudanças que já foram implementadas foi a regra IMO 2020, que entrou em vigor em janeiro desse ano. Robert explica que ela exige que os navios reduzam suas emissões de enxofre de 3,5 para 0,5%.

Existem duas opções para alcançar esse objetivo. Uma delas, de acordo com o especialista, é a utilização de um combustível com baixo teor de enxofre, o chamado LSFO, ou a instalação de scrubbers, que atuam como uma espécie de catalisador.

A logística no mercado O&G, bem como a produção desse setor, também podem ser impactados por essa nova onda verde. Afinal, segundo Robert, já existem diversas iniciativas para adequação de frotas, como as dinamarquesas e norueguesas, para emissão neutra até 2050.

Para isso, adequações estão sendo realizadas visando o abastecimento dos navios com biofuels e LNG. Ainda, o consórcio Zero Emission Services está em andamento para desenvolver baterias que equiparão barcaças de navegação interior nas hidrovias europeias. Assim o uso de combustíveis fósseis será eliminado completamente. O mais recente avanço é um anúncio do fabricante de automóveis elétricos Tesla anunciando o lançamento para breve de barcaças elétricas porta-containers, inicialmente a pedido dos portos de Rotterdam, Amsterdam e Antuérpia.

Com foco especificamente na logística portuária, podemos citar iniciativas similares. O especialista traz como exemplo a substituição da fonte de energia de diesel para eletricidade de equipamentos como transtêineres e empilhadeiras. Segundo, ele alguns portos já adotam o cold ironing, em que o navio quando atraca, desliga seus geradores e se conecta à rede elétrica do porto.

Apesar de todas essas ações, Robert explica que existem desafios para implementação da logística verde. Um deles é a falta de compreensão adequada por parte dos gestores da importância dessas ações sustentáveis. Em segundo, está “a falta de profissionais devidamente qualificados para implementar programas que levem as empresas a um maior engajamento com a causa verde”.

Assim, podemos considerar que a logística verde exige esforços no sentido de desenvolver e implementar novas soluções. Porém, é fato que ela traz ganhos para as empresas, modernizando suas estruturas e operações, além de valorizar a imagem no mercado. Além, é claro, de contribuir com a preservação da vida no planeta Terra.

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