Qual o interesse das empresas internacionais no mercado de O&G?

mercado de O&G
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O mercado de produção de Óleo e Gás — Oil & Gas — é um dos mais globais que existem. Mesmo que um país trabalhe inicialmente para atender sua demanda interna, o interesse de outras nações — principalmente das grandes potências — molda o desenvolvimento e a infraestrutura produtiva.

Por isso, analisar o setor no Brasil demanda também levar em conta a importância dos estrangeiros no mercado de O&G. Para tal, contamos com a ajuda de Marcelo Gauto, especialista em Petróleo, Gás e Energia. Acompanhe nosso conteúdo em uma discussão objetiva sobre essa relação e o que ela significa para as empresas que atuam na área!

Por que o petróleo brasileiro é atraente para mercados estrangeiros

Por mais que o Brasil seja um país produtor de petróleo há bastante tempo, apenas recentemente ganhamos destaque no palco mundial de O&G. E por quê?

A principal razão para essa mudança é bem clara para quem trabalha no setor: as reservas de pré-sal encontradas pela Petrobras e o desenvolvimento de tecnologia capaz de fazer esse tipo de exploração.

Nesse sentido, Marcelo aponta para uma mudança drástica na característica de produção brasileira de 2013 para cá, em dois pontos fundamentais.

Quantidade

Primeiramente, podemos falar da quantidade de petróleo extraído. “De 2013 até agora, a produção brasileira de petróleo cresceu 50% e tem, em 2019, um superávit de 1 milhão de barris por dia (bpd)”, conta o especialista.

Isso significa que, além de atender o mercado interno, o país se consolidou como um exportador da matéria-prima, atraindo a atenção e o investimento de outros mercados.

Qualidade

Ter o produto para vender não cria oportunidades por si só. Outro fator determinante para o reposicionamento do Brasil no mercado de O&G é a qualidade do petróleo extraído no pré-sal.

Nas reservas anteriores, o óleo extraído por aqui era de alta densidade, com API abaixo de 22. No campo de Tupi, maior produtor do insumo, o API é de 31, considerado no limiar entre média densidade e leve. Marcelo explica em mais detalhes: “quanto mais leve é um óleo, maior seu rendimento em derivados nobres como gasolina e diesel. Há um menor esforço de refino. Além disso, o teor de enxofre dos óleos do pré-sal é considerado baixo. O enxofre é uma impureza inconveniente para os refinadores, pois requer refinarias mais complexas para retirá-lo dos combustíveis produzidos”, detalha o especialista.

Essa última característica é especialmente interessante quando levamos em conta a nova resolução da Organização Marítima Internacional, a IMO 2020. A determinação reduziu o limite de presença de enxofre nos combustíveis utilizados por embarcações de 3,5% para 0,5% — uma mudança considerável.

Ou seja, mercados internacionais começaram a ser mais seletivos sobre esse teor no óleo que importam para refinamento, já que os níveis baixos desde o produto bruto barateia e simplifica toda a cadeia.

E é nesse cenário que o Brasil se torna cada vez melhor posicionado como um player a ser considerado dentro do mercado global. Um óleo de alta qualidade sendo produzido em quantidades cada vez maiores — sem abrir mão da segurança e eficiência tecnológica.

Qual é a situação atual do mercado de O&G

O ano de 2020 se mostrou um verdadeiro desafio para a humanidade, e os reflexos da pandemia de Covid-19 refletiram em todos os setores produtivos e comerciais. Para o O&G, o impacto foi ainda mais significativo, já que a demanda regrediu significativamente em alguns meses e a volatilidade do preço do petróleo exigiu cautela e estabilidade das empresas no setor.

Mas se tem algo que o início de recuperação demonstra é que essa indústria pode sair ainda mais forte do baque que sofreu. A demanda está voltando aos seus níveis normais, e a tendência é de que seu crescimento continue nos próximos anos.

As exportações vêm batendo recorde no país e se tornam uma arma comercial para posicioná-lo entre as parcerias importantes e variadas pelo mundo todo.

A grande diferença que estamos vendo agora é uma abertura maior do Brasil não apenas para o comércio. Há uma evolução nas parcerias de exploração, desenvolvimento e pesquisa com a aproximação de empresas de todo o mundo.

O que esperar da importância dos estrangeiros no mercado de O&G para o futuro

Quando pensamos em um futuro para a indústria do petróleo, a chave mais importante está no equilíbrio entre sustentabilidade da exploração, eficiência e preocupação ambiental.

É um cenário perfeito para que o Brasil continue se destacando e ganhe ainda mais evidência no market share internacional. Afinal, o desenvolvimento do setor no Brasil vem sendo preparado para esse futuro há muito tempo.

As técnicas, os estudos e a infraestrutura brasileira são modernos e focados na produção com segurança e na priorização do retorno sobre investimento. Aliando isso à qualidade do nosso petróleo, a posição é muito favorável.

Até porque tal demanda por baixa densidade tornou-se um efeito complementar do que é encorajado pela IMO, que incentiva a busca por óleos com baixo teor de enxofre. O campo de Búzios, um substituto no horizonte para o declínio da reserva em Tupi, apresenta as mesmas características de API médio e baixo teor de enxofre, entre outros óleos com características semelhantes que estão por vir de áreas já licitadas do pré-sal.

É o momento, portanto, de continuar os investimentos em desenvolvimento e abraçar o potencial que o país tem no cenário mundial.

“Projeta-se que o Brasil terá uma produção de petróleo que nos ranqueará entre os seis maiores exportadores do mundo, com uma produção diária ultrapassando os cinco milhões de barris até 2030, ante os atuais três milhões de bpd”, explica Marcelo. “O ambiente, porém, será bastante desafiador, em um cenário de sobreoferta de petróleo e transição energética, que pode manter os preços da commodity baixos por longo período de tempo”, pondera.

Ou seja, a adversidade está no aumento da produção para atender ao mercado ao mesmo tempo em que se busca formas sustentáveis e eficientes de produção, que reduzam custos e tornem o lucro mais atrativo para todas as empresas dentro dessa cadeia.

Aqui, entendamos uma coisa: se existe algo nessa evolução recente no mercado brasileiro que mostra um futuro positivo é a nossa capacidade de nos reinventar e inovar. A importância dos estrangeiros no mercado de O&G está na validação comercial de nossa capacidade em criar um setor robusto e competitivo.

E você, como vê a situação atual do O&G e a participação do Brasil no contexto mundial? Deixe seu comentário aqui embaixo!

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