Entenda o crescimento na movimentação de líquidos no mercado brasileiro

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O crescimento da movimentação de líquidos no mercado brasileiro tem obtido bastante destaque ao longo dos últimos anos. Como os impactos ainda são recentes, podem surgir algumas dúvidas na hora de mensurá-los.

Afinal, quais líquidos são esses? Quando e por quais razões essa evolução começou a se manifestar? Quais são as principais peculiaridades desse mercado e o que esperar dele nos próximos anos?

Para tratar desse tema tão relevante, entrevistamos Ricardo Cecílio M. Neves, que é especialista em energia. Leia o texto até o fim para aproveitar todas as informações!

Quais são os principais líquidos movimentados no Brasil?

De acordo com o especialista, os portos brasileiros e o transporte hidroviário em geral englobam produtos químicos e de várias outras origens. “Apesar disso, há uma enorme predominância da movimentação de petróleo bruto e seus derivados no mercado nacional”, completa.

Nesse sentido, é preciso destacar os números referentes às operações realizadas no píer 2 do Porto do Pecém, onde está localizado o Terminal de Regaseificação do Pecém. Conforme dados divulgados pelo portal do Governo do Estado do Ceará, de janeiro a setembro de 2019 foram movimentadas 405.376 toneladas de gás natural liquefeito — um tipo de granel líquido. O crescimento, quando comparado ao mesmo período em 2018, é de 70%.

Tais marcas, somadas às informações trazidas por Ricardo, ajudam a entender a variedade nas movimentações de líquidos em nosso mercado. O novo terminal do Porto de Paranaguá, inaugurado em meados de 2018, é outro fato que confirma o desenvolvimento da atividade, pois aumentou em 20,4% a capacidade de movimentação de cargas líquidas, como noticiado pela Folha de Londrina.

É oportuno lembrar que o Porto de Paranaguá — um dos principais polos de líquidos junto ao Porto de Santos — pode armazenar mais de 93.715 metros cúbicos, divididos em 18 tanques, que movimentam até 200 milhões de litros por mês.

Conforme divulgado pela revista Portos e Navios, a movimentação de cargas líquidas pelo porto paranaense cresceu 81% entre os anos de 2011 e 2017. Além disso, ele desponta como um dos maiores exportadores de produtos agrícolas, como farelo de soja e soja em grão.

Quando e por quais motivos o mercado de movimentação de líquidos cresceu?

O investimento em infraestrutura logística e as recentes obras nos portos brasileiros representam, em certa medida, a expansão do mercado de movimentação de líquidos. No entanto, por que ela aconteceu? Quais são os maiores motivadores de um desenvolvimento tão notável e quando ele teve início?

Na visão de Ricardo,”o crescimento do impacto dessas mercadorias no mercado brasileiro vem em uma crescente desde os anos 2000, mas intensificou-se principalmente com o aumento da exploração e da exportação de petróleo — que teve uma forte ascensão a partir de 2015″.

Vale ressaltar que a logística dos produtos líquidos regulados pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) está completamente atrelada aos oleodutos e terminais de combustíveis líquidos. Isso também se aplica às empresas e consórcios que operam as instalações e oferecem serviços variados, como armazenamento, transporte e serviços de carga e descarga.

No segundo semestre de 2018, o setor passou por uma retomada significativa por meio dos leilões de Óleo e Gás — Oil and Gas. Uma publicação da Agência Brasil, inclusive, traz falas de importantes figuras que atuam e/ou investem na área associando a prática ao aquecimento do mercado.

“O principal fator para desencadear a expansão foi o aumento da produção interna de petróleo seguido de sua exportação, com destaque para as explorações na região do pré-sal”, aponta Ricardo. Não à toa, um dos desafios para fazer com que a movimentação de cargas líquidas e a indústria de Óleo e Gás como um todo continuem crescendo a longo consiste em captar aportes financeiros em outras áreas exploratórias além daquelas nas quais o pré-sal está concentrado.

Quais são as particularidades do mercado de movimentação de líquidos?

Segundo Ricardo, a maior peculiaridade desse mercado está associada à necessidade de contar com uma boa infraestrutura para recebimento e escoamento. “Quando essas pendências estiverem total ou parcialmente sanadas, as empresas passarão a aderir cada vez mais ao transporte marítimo e hidroviário. Afinal, ela pode reduzir os custos logísticos para produtos líquidos com baixo valor agregado”, explica.

Cabe destacar que os custos no transporte marítimo podem ser otimizados por meio de um Contrato de Afretamento — Charter Party — elaborado de maneira adequada, que atenda às necessidades das partes envolvidas. Alguns aspectos devem ser abordados para chegar aos melhores termos possíveis, como:

  • quantidade de carga a ser transportada;
  • portos de origem e de destino;
  • período de embarque e de desembarque.

Quais são as perspectivas sobre o futuro desse mercado?

Para Ricardo, existem várias razões para enxergar o setor com otimismo, pois é bem provável que o viés de crescimento se mantenha: “o ano de 2020 continuará marcando o crescimento, que aumenta a cada ano”. Contudo, ele diz que muito precisa ser feito para que o modal atinja todo o seu potencial. “Quando olhamos também para as questões do transporte fluvial interior, isto é, aquele que é feito dentro do país, detectamos algumas carências estruturais para recebimento e escoamento de cargas”, constata o especialista.

Em relação às expectativas sobre o mercado nacional de Óleo e Gás em geral, alguns ajustes regulatórios, como a revisão das regras de conteúdo local, podem ser bem-vindos. Além disso, é possível que as tecnologias testadas no pré-sal tragam reduções de custos e ganhos de eficiência em diferentes sentidos, contribuindo ainda mais para o aumento do desempenho e, por consequência, dos resultados obtidos.

Esse cenário, em conjunto com a progressão contínua das fontes de energia renováveis e seu aumento de representatividade na matriz energética, contribuirá para a busca da combinação entre o baixo custo de exploração e de produção. Por isso, a tendência é de que as empresas desse segmento se reposicionem como organizações de energia, abordando a questão sob uma ótica global.

O crescimento na movimentação de líquidos no mercado brasileiro é nítido e seu futuro se anuncia como algo promissor e repleto de possibilidades. Portanto, vale a pena continuar acompanhando as transformações recentes para saber mais a respeito!

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