Perspectivas da navegação brasileira

Perspectivas para a navegação brasileira
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Na esfera da navegação brasileira, 2019 traz boas notícias. Conheça as principais perspectivas para o segmento e saiba porque o transporte marítimo e a construção naval estão crescendo no Brasil.

O mercado da navegação brasileira se aquece e entra em 2019 com boas perspectivas. Entre leilões que atraem companhias estrangeiras e a maior visibilidade dos serviços marítimos de transporte de mercadoria, o Brasil amadurece um segmento que promete e vai de vento em popa.

Conversamos com Bruno Lima Rocha, Diretor de Relacionamento Institucional da Wilson Sons e presidente do Syndarma (Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima). Com otimismo, ele explica sobre as perspectivas da navegação brasileira, confira!

A mudança da mentalidade sobre o transporte e a navegação no Brasil

Por muito tempo, pouco se falava na navegação brasileira como solução para o transporte de mercadorias no país. Porém, o Brasil tem passado por uma mudança de mindset em relação ao transporte de cargas.

O transporte por cabotagem e o transporte multimodal estão sendo mais considerados, principalmente depois da greve dos caminhoneiros em maio de 2018.

Hoje em dia, 65% da carga movimentada no Brasil é feita por caminhão. Isso indica que ainda existe uma margem muito grande a ser repensada no transporte de cargas no Brasil.

Bruno se mostra otimista. “Depois da greve realizada pelos caminhoneiros, muitos clientes passaram a ver na navegação uma alternativa viável para transportarem seus produtos pelo país”.

Segundo ele, a cabotagem de contêiner vem crescendo de forma impressionante há muito tempo, com taxas de incremento acima dos 12% ao ano. “Há algum tempo ela [a cabotagem] está tirando carga do caminhão para o navio”, comemora.

Bruno ainda enfatiza a competitividade do transporte marítimo em relação ao transporte por via terrestre. “Para as longas distâncias (Santos-Manaus, Recife-Rio Grande), mais de mil quilômetros, o navio já é absolutamente competitivo para o transporte de contêineres”.

Essa mudança de entendimento em relação ao transporte de cargas tende a aumentar nos próximos anos, à medida que os resultados positivos forem ficando ainda mais visíveis.

O aumento da confiança no transporte marítimo

A segurança no transporte das mercadorias é um dos pontos principais buscados pelos afretadores. Empresas como as de óleo e gás, também conhecidos como O&G, por exemplo, enfatizam a importância da segurança operacional na hora de qualquer contrato, o que é normal.

Por isso, o transporte marítimo, tem sido cada vez mais considerado. Nesse aspecto, a cabotagem mantém um dos maiores índices de segurança entre os demais modais presentes no Brasil.

Quando observados os riscos do transporte rodoviário, por exemplo, fica evidenciado que o meio mais seguro para fazer chegar uma mercadoria passa pela navegação brasileira.

Tudo isso impacta também na renovação do seguro e no custo final da mercadoria. Gerando, ao final, preço mais competitivo junto ao mercado. A segurança operacional é um valor que a Wilson Sons tem orgulho em demonstrar sua excelência.

Maior número de operações com grandes navios

Em junho de 2018, o Porto de Salvador foi autorizado a operar com grandes navios (333m e 366m de comprimento no terminal de contêineres). Essa conquista fez com que o porto seja o segundo do país a dispor de tal autorização.

Dessa forma, o Porto de Salvador ganhou em competitividade, podendo receber uma nova classe de navios e realizar novas operações. Situação essa que desperta interesse dos investidores nacionais e estrangeiros.

A relação positiva da navegação com o meio ambiente

“Nós temos uma das costas mais fáceis de serem navegadas, por causa das condições climáticas especiais”, anuncia Bruno.

O transporte de cargas, pensado de forma multimodal e, muitas vezes, se servindo da navegação brasileira, otimiza os custos, o tempo e economiza ainda em recursos naturais.

Dessa maneira, a navegação brasileira começou a ser percebida por muitos como um transporte mais ecológico, o que também gera valor para o serviço e mais engajamento para quem é da área.

A otimização do trabalho com tecnologia

Uma questão que se discute em qualquer atividade de mercado é a burocracia. A necessidade de muitos papéis, ainda que fundamentais, pode reduzir a otimização de qualquer trabalho.

Para isso, a navegação brasileira tem andado a passos largos e a tecnologia tem sido colocada em ação. “Estamos desburocratizando a entrada e saída dos portos”, explica Bruno. Para ele, a informática e a ligação por satélites têm ajudado muito a reduzir o tempo de produção de documentos e podem contribuir ainda mais para diminuir qualquer eventual perda de tempo e otimização no processo.

Os leilões que vão movimentar a construção naval

Em 2018, algumas empresas brasileiras de offshore ainda possuíam barcos parados, com pouca demanda. No entanto, o cenário começou a se transformar.

Em 2019, há uma grande expectativa pelos leilões de províncias de petróleo. Isso aumentaria muito a busca por barcos de apoio, o que gera também grande movimentação para a construção naval. “Assim, o estoque de navios será consumido até 2020, provavelmente”, indica Bruno.

E ele continua, “no que diz respeito aos rebocadores, crescendo o PIB, mais navios vão cruzar os portos brasileiros”. Segundo Bruno, o rebocador não entrou em crise, nem a cabotagem. E as perspectivas para o ano desses atores da navegação brasileira se mantém ainda mais otimistas.

A navegação brasileira de frente para o futuro

O universo da navegação brasileira tende a se expandir. Para Bruno, o crescimento ultrapassa, inclusive, as melhores expectativas, “a cabotagem de contêineres vem crescendo muito e vai crescer mais ainda”. Segundo ele, a previsão é de 25% ao ano.

No que toca ao apoio portuário, para os rebocadores e a construção naval, a expectativa é de crescimento também. “É natural que eles venham a crescer em função do crescimento dos segmentos da navegação brasileira e do PIB brasileiro”, vislumbra Bruno.

O PIB brasileiro registrou crescimento de 1% no último trimestre de 2018. Dentro da esfera de serviços, as maiores altas registradas foram justamente constatadas nos segmentos de transportes (2,5%) e comércio (1,3%).

A perspectiva é de que em 2019 o PIB continue avançando. A partir disso, o aumento da demanda para transporte e construção naval fará com que a navegação brasileira embarque numa linha de avanço dos negócios, “a perspectiva é absolutamente positiva”, finaliza Bruno.

Para saber mais sobre o trabalho na navegação brasileira, as soluções buscadas e suas perspectivas, leia também nosso texto sobre Agenciamento marítimo e por que é importante contratar.

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