Parques Eólicos Offshore: serão a solução para garantir uma energia mais sustentável no futuro?

parques eólicos offshore
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O Brasil e o mundo apostam cada vez mais na energia eólica como forma de atuar com sustentabilidade em um mercado pressionado pelos altos preços e recursos naturais limitados. Com os atuais 23 GW gerados a partir dos parques eólicos offshore, fica evidente que ainda há muito espaço para crescer.

Apenas em nosso país, o potencial já é imenso, com 700 GW podendo ser gerados apenas nos parques instalados em espaços aquáticos. No entanto, a pandemia pode impactar o cenário dos próximos anos, no que diz respeito aos investimentos propostos para o setor.

Quer saber mais sobre esse tema fascinante e essencial para a vida na Terra? Acompanhe a leitura até o final e veja as observações de nosso entrevistado, o consultor sobre energia eólica e solar Paulo Aquino.

O que são parques eólicos offshore?

Os parques eólicos offshore são estruturas montadas no mar, aproveitando-se da alta velocidade do vento nesses locais para a produção de energia. Sabe-se que os ventos são mais fortes no mar do que em terra, o que torna a captação energética mais eficiente.

De acordo com Paulo Aquino, esses conjuntos de aerogeradores se localizam em águas não muito profundas, com até 60 metros de calado — como é chamada a distância vertical entre a quilha (parte inferior) e a linha de flutuação de uma embarcação. “A velocidade do ar não é apenas maior, mas também mais constante, devido à inexistência de barreiras”, explica o especialista.

Além disso, ele ressalta que é importante que as estruturas fiquem afastadas da costa e longe das rotas marinhas, para que não prejudiquem o tráfego de embarcações. Deve-se atentar, ainda, para outras instalações navais, para os espaços de interesse ecológico que possam se fazer presentes nas águas e para o impacto a outras atividades do mercado offshore.

Como os parques eólicos funcionam?

O funcionamento de um parque eólico offshore se dá, primordialmente, pela força do vento. Mas é claro que vai muito além disso. Além das pás, as estruturas são compostas de eixos (lento e rápido), aerogeradores, conversores e transformadores, entre outros.

Para entender melhor, acompanhe este passo a passo:

  • a força do vento faz com que as pás girem — pela falta de obstáculos e pela maior velocidade atingida pelo ar, esse trabalho ocorre de forma mais constante do que em terra;
  • unidas à turbina por meio da bucha, as pás (assim como o eixo lento) dão entre 7 e 12 voltas por minuto;
  • a multiplicadora aumenta em mais de 100 vezes a velocidade, transferindo-a para o eixo rápido que, por sua vez, transmite a velocidade ao aerogerador;
  • este transforma a energia cinética que recebe em eletricidade, que é conduzida até o interior da torre;
  • lá, um conversor transforma a corrente contínua em alternada e um transformador aumenta a tensão para ter condições de transportar a corrente pelo parque;
  • é chegada a hora de transmitir a eletricidade para a subestação por meio de cabos submarinos;
  • ao alcançar a subestação, a eletricidade é convertida em uma corrente de alta voltagem;
  • por fim, a eletricidade, já nas cidades, é transportada por meio da rede de transmissão e, finalmente, à rede de distribuição de cada rua, até chegar às casas dos consumidores, empresas e outros locais.

Sustentabilidade

Além dos aspectos técnicos, a sustentabilidade é outro fator decisivo para a implantação de parques eólicos offshore. Esse tipo de produção de energia é renovável, a partir de um recurso natural virtualmente inesgotável. Mas as vantagens não param por aí: essa é uma modalidade não poluente de geração de energia, e não causa prejuízos ambientais.

Mesmo os efeitos da instalação dos parques no mar são mínimos e não afetam a fauna e a flora das regiões onde se encontram. Para completar, a dependência de combustíveis fósseis é reduzida drasticamente.

Quais são as perspectivas para o futuro?

De acordo com informações da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), o país conta com 624 parques instalados, com capacidade de produzir 15,6 GW, o que proporciona uma redução na geração de CO2: são 28 milhões de toneladas a menos de poluentes na atmosfera.

Entre 2012 e 2018, o país deu um salto: foi da 15ª para a 5ª posição entre as nações que mais instalaram usinas de energia eólica, ficando na 8ª colocação em relação à capacidade instalada. Em 2019, foram gerados 55,9 TW/h de energia eólica no Brasil, o equivalente ao abastecimento de 29,5 milhões de residências por um mês, com potencial de impactar as vidas de 88,5 milhões de habitantes (42% da população brasileira).

O futuro reserva grandes possibilidades para o país. Se apenas considerarmos o potencial dos parques eólicos offshore, é possível produzir 700 GW de energia anualmente no país — mais de 30 vezes a capacidade gerada atualmente nesta modalidade em todo o mundo, que é de 23 GW. No entanto, uma série de investimentos teriam que ser feitos para alcançar essa marca.

No mundo, o cenário pré-COVID-19 também era interessante, embora ainda seja necessário avaliar de que forma a pandemia vai afetar o segmento. “O mercado global de energia eólica deve crescer em média 4% a cada ano”, destaca Aquino, ressaltando que a pandemia pode mudar as projeções já em curto prazo.

Antes da chegada do novo coronavírus, a expectativa era de que, entre novas instalações onshore e offshore, houvesse uma geração de 42 milhões de empregos em energias renováveis até 2050, de acordo com o relatório do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC), divulgado em março de 2020.

Segundo o release de imprensa divulgado pela entidade, esperava-se que 2020 fosse um ano recorde para a energia eólica, com o GWEC prevendo 76 GW de nova capacidade.

Ainda de acordo com o comunicado do Conselho, “o impacto total da COVID-19 nas instalações de energia eólica permanece sendo desconhecido. O GWEC revisará sua previsão para 2020-2024 à luz dos possíveis impactos da COVID-19 nos mercados globais de economia e energia e publicará uma perspectiva atualizada do mercado no segundo trimestre de 2020”.

Neste artigo, buscamos apresentar os parques eólicos offshore, seu funcionamento e perspectivas para o futuro. O Brasil é um dos países com maior potencial para a instalação desse tipo de estrutura, em função de sua longa costa às margens do Oceano Atlântico. Em um mundo que, cada vez mais, demanda energia renovável, as possibilidades são imensas, por mais desafiador que o cenário pós-pandemia venha a ser.

Para saber ainda mais sobre as perspectivas do mercado para o futuro, nosso material sobre os segmentos de óleo e gás no Brasil.

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