Perspectiva sobre o futuro do mercado de óleo e gás no Brasil: o que podemos esperar?

mercado de óleo e gás no Brasil
7 minutos para ler

O mercado de óleo e gás, também conhecido como O&G, no Brasil vive em constante mutação. Essas transformações são consequências das mudanças relativas a fatores macroeconômicos e também estão associadas às particularidades do setor, como tendências, negociações, novas implementações e assim por diante.

Levando isso em consideração, preparamos este post para comentar algumas perspectivas sobre o futuro desse mercado tão relevante para o país. Ao longo do texto, comentaremos os desafios, o planejamento atual e algumas novidades tecnológicas.

Boa leitura!

Quais as tendências para o mercado de óleo e gás no Brasil?

Em linhas gerais, pode-se dizer que é possível olhar com otimismo para esse segmento da nossa economia. Afinal, alguns aspectos foram fundamentais para garantir a sustentabilidade e atratividade da atividade no Brasil.

Para entender mais sobre o tema, conversamos com o especialista Fernando Salek, que é CFO do Grupo Wilson Sons, que tem mais de 180 anos de existência e é uma das maiores operadoras de serviços portuários, marítimos e logísticos do Brasil.

De acordo com ele, alguns ajustes regulatórios são preponderantes para se formular uma perspectiva positiva nesse sentido:

  • a quebra do monopólio de operação da Petrobras no pré-sal;
  • a prorrogação do regime do REPETRO;
  • a revisão das regras de conteúdo local.

“Esses fatores, combinados com o excelente break-even cost e o flow-rates dos poços da Bacia de Santos, resultam em grande atratividade para as IOCs (“international oil companies”), mesmo em cenários de recuperação mais tímida do preço do petróleo”, aponta Salek.

Quais são os principais desafios do setor para os próximos anos?

Os grandes desafios dos próximos anos se manifestam em dois planos distintos: para as empresas de E&P e para o Brasil.

“Para as empresas, de um modo geral, um grande desafio é perenizar os ganhos de eficiência obtidos durante a crise do petróleo, mantendo a disciplina de custos ao mesmo tempo em que aceleram a alocação de capital”, ressalta o CFO.

Em relação ao Brasil, o especialista acredita que “o desafio será garantir um ambiente regulatório e institucional estável para dar segurança aos investidores que atuam em uma indústria com perfil de longo prazo”. Ou seja, há uma necessidade de assentar normas e oferecer garantias legais para atrair investidores.

Salek vai ainda mais adiante e frisa que é importante “manter o ritmo de rodadas de oferta de blocos”. Além disso, a linha atual de administração da Petrobras também deve ser mantida, “privilegiando a filosofia de construção de parcerias que viabilizem um ritmo adequado de investimento e materialização do valor do pré-sal”.

Em novembro de 2017, o então presidente da Petrobras, Pedro Parente, apresentou um discurso alinhado a essa visão. Conforme divulgado pela Folha de S.Paulo, o ex-mandatário já falava em “novas estratégias” relacionadas ao mercado e às energias renováveis.

O que o mercado já está desenvolvendo?

Muita gente não sabe, mas o próprio pré-sal vem funcionando como um verdadeiro laboratório para a utilização de novas tecnologias. A experiência está sendo produtiva — segundo Fernando, “recentes aplicações nas áreas de subsea e drilling, por exemplo, têm resultado em significativas reduções de custos e ganhos de eficiência”.

Em meio às novidades, alguns riscos também se apresentam. É o caso dos motores elétricos, uma tecnologia crescente, que sugere impacto representativo de demanda por combustíveis fósseis no futuro.

O que o setor tem planejado para o futuro?

Para Fernando, “em função das modificações esperadas para a matriz energética, o setor focará nas oportunidades que apresentam uma combinação de volume representativo com baixo custo de exploração e produção”. Por conta disso, o pré-sal desponta como um dos grandes atrativos do setor.

Paralelamente a isso, chama atenção as organizações desse segmento se reposicionarem como empresas de energia e não mais como empresas de O&G, somente. Salek acredita que quem investiu nessa transição há mais tempo e soube fazê-la com competência sairá na frente dos concorrentes.

Quais os impactos das mudanças no setor?

Os impactos mais evidenciados, como mencionamos no tópico anterior, são relativos às fontes de energia renováveis. Sendo assim, conforme elas progridem e ganham mais espaço, é natural que haja um processo contínuo de aumento de representatividade na matriz energética.

Apesar disso, se engana quem pensa que esse processo é previsível, isto é, há um desafio em tentar entender como essas alterações acontecerão na prática para, a partir disso, maximizar o valor do O&G. No cenário nacional, isso se torna mais importante ainda, tendo em vista que existem grandes volumes de reservas de petróleo a serem exploradas.

Tecnologia no mercado de O&G: o que podemos aguardar para o futuro?

Em agosto de 2017, o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) organizou a O&G TechWeek. Ela foi o primeiro evento brasileiro de tecnologia focado no mercado de óleo e gás.

De acordo com entrevista concedida ao jornal O Globo, Milton Costa Filho — Secretário Geral do IBP — disse que o objetivo do congresso era “colocar frente a frente todas as ofertas digitais já disponíveis ou que estejam vindo com muita força e velocidade, face às demandas e desafios da indústria”.

Para Peter Kronstrøm — sócio do Copenhagen Institute for Futures Studies na América Latina e fundador do Future Lounge — a inteligência artificial, que ganha cada vez mais espaço em outros setores, causará modificações benéficas para esse mercado. Em declaração também ao Globo, ele mencionou que esse tipo de tecnologia originará uma “mudança no estilo de trabalho, que será mais voltado para a criatividade e pensamento no futuro”.

Fernando Salek, por sua vez, entende que o crescimento do setor fará com que as empresas busquem por mais qualidade nas parcerias e na prestação de serviços. Segundo o especialista, “isso vai impor às prestadoras de serviços a necessidade de se diferenciar, demonstrando, por exemplo, maior comprometimento com as melhores práticas de Saúde, Meio Ambiente e Segurança (SMS), agilidade comercial e grande excelência operacional.” Para garantir esses objetivos, a tecnologia é, sem dúvidas, uma aliada indispensável.

“Neste sentido, a Wilson Sons vem se preparando faz tempo, seja através de seu DNA de excelência operacional e filosofia de parceria, seja por seu absoluto comprometimento com as melhores práticas na área de segurança. Portanto, acredito que a busca por qualidade diferenciada nos beneficia”, acrescenta o CFO.

Enfim, o mercado de O&G no Brasil passou por alterações que prometem deixá-lo ainda mais acirrado. Como consequência direta, pode-se esperar por mais eficiência nas operações e processos, o que resultará em produtos ainda melhores para o consumidor final.

Se você gostou desse conteúdo, aproveite para compartilhá-lo em suas redes sociais e não se esqueça de marcar os colegas que também se interessam pelo tema!

Você também pode gostar

Deixe um comentário