[POST nº100] Conheça o Porto de Aratu e as perspectivas para os próximos anos

Porto de Aratu
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Mesmo em cenários tão incertos globalmente, como durante a pandemia de Covid-19, os portos brasileiros continuam apostando em tecnologia, eficiência e inteligência para manter seu crescimento. O Porto de Aratu, na Bahia, é um desses exemplos.

Para entrar mais a fundo nas perspectivas atuais e futuras desse complexo, convidamos Ludwig Silva, profissional da área marítima há 10 anos e Coordenador Regional de Operações da Wilson Sons, desde março de 2018.

Veja as ações que o porto vem tomando para passar por um momento tão difícil e por que a região está otimista sobre seu desenvolvimento contínuo nos próximos anos. Acompanhe!

O Porto de Aratu em números

Antes de falar sobre futuro, precisamos começar entendendo o presente. Principalmente a importância do Porto de Aratu para a Bahia e o Brasil nos últimos anos.

Segundo a Codeba, o complexo Aratu-Candeias (inaugurado em 1975) passou por 2019 registrando 6,3 milhões de toneladas em carga movimentada. Foram 547 navios cargueiros atracados no período. É, de longe, o porto com melhor resultado em volume de operação no estado da Bahia.

Aratu se destaca por três tipos principais de mercadorias movimentadas:

  • granéis sólidos (como manganês, carvão mineral e fertilizantes);
  • granéis líquidos (como metanol, combustíveis, benzeno e nafta);
  • produtos gasosos (como Propeno, Butadieno, Etano etc.).

Os produtos acima mencionados são movimentados através de 3 píeres principais, o TPG (produtos gasosos e a nafta petroquímica) o TGL Norte e Sul, onde são movimentadas as cargas líquidas e o TGS Norte, Sul e II píer novo, onde são movimentados os granéis sólidos.

O Píer de Gás tem uma peculiaridade, pois, foi adaptado no final dos anos 1990 para o recebimento de navios de nafta petroquímica, principal matéria-prima do Polo Petroquímico, movimentando em média 1 milhão de toneladas ano.

O terminal gasoso, inclusive, é um diferencial do porto. A estrutura, segundo Ludwig, é uma parceria com outra empresa localizada no Estado.

“O terminal de gases tem uma utilização bastante específica, praticamente dedicado à movimentação de produtos gasosos e matérias primas da Braskem. É por meio dele que a empresa recebe esse insumo (etano e nafta) e escoa parte de suas exportações”, afirma.

Por sua relação com o estado (falaremos sobre isso mais abaixo), o Porto de Aratu se tornou uma importante estrutura para o país.

A força do porto durante um momento de crise

Nada demonstra melhor a força de uma entidade do que a forma como ela lida com momentos de crise. A capacidade do Porto de Aratu durante a epidemia de Covid-19 prova sua vontade de continuar crescendo.

Desde os primeiros casos no Brasil, o porto começou a adotar medidas importantes para impedir a proliferação da doença. “Ocorreu a implementação de novos protocolos determinados pela autoridade portuária, sanitária e demais intervenientes no funcionamento do equipamento,” afirma o coordenador.

O importante, no momento, é passar por essa fase difícil, até porque não há ainda como avaliar o impacto real dessa crise no desenvolvimento do porto. Ludwig nos dá um panorama melhor sobre o tema.

“Ainda é cedo para termos o real impacto sobre as movimentações nos portos da Bahia. Alguns setores sofrem mais no mercado doméstico e acabam se voltando para a exportação”, comenta.

O que o especialista aponta é que as consequências variam muito, de acordo com a natureza do negócio: “enquanto o consumo de alguns itens caiu sensivelmente, outros passaram a ser mais demandados”.

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Ludwig complementa que, com o aumento significativo do dólar face ao real, as exportações de produtos agrícolas está bastante aquecida. “Em contrapartida, observamos uma queda nas importações de combustíveis.”

Ainda não há dados oficiais do primeiro trimestre, mas a tendência é de que o aumento da exportação compense a queda nas importações, nesse primeiro momento.

A concessão de partes de Aratu e seu desenvolvimento

O porto de Aratu tem uma importância estratégica para a economia do estado da Bahia, é através dele que são operadas as cargas de importação e exportação que movimentam o polo petroquímico de Camaçari, o maior polo do Brasil. 

 “Dada a relevância do porto de Aratu para vários seguimentos da indústria baiana, é necessário que novos investimentos sejam feitos para aumentar a agilidade das operações de carga e descarga e, com isso, atrair novos investimentos e negócios para o Estado. Na verdade, muito pouco investimento público foi realizado no porto nos últimos anos, tendo sido anunciados planos para sua privatização até dezembro de 2020.”, ressalta Ludwig.

Em março, foram enviados ao TCU os primeiros estudos de viabilidade para concessão de terminais no porto. Mesmo que a pandemia atrase o processo, a expectativa é de que aconteça em breve.

Mas Aratu não espera para crescer. Já existem diversas tecnologias e aprimoramentos sendo implementados em sua rotina. “Os produtos são movimentados por meio de dutos e seguem rigorosos padrões de segurança. Também foi implantado no porto de Aratu o ISPS Code, que regula o controle de acesso à área portuária conforme as regras internacionais”, comenta Ludwig.

Um dos destaques é a segurança no terminal de líquidos e gases. “Os produtos são movimentados por meio de dutos e seguem rigorosos padrões de segurança. Inclusive o ISPS Code, tendo o controle de acesso à área portuária de acordo com as regras internacionais”, comenta Ludwig.

Na área de granéis sólidos, também são aplicados procedimentos de segurança e controle das cargas manuseadas, seja para os armazéns alfandegados ou diretamente para as carretas que movimentam as mercadorias. 

A Wilson Sons pensa ainda mais à frente, segundo o coordenador regional, a empresa já tem parceria com Aratu para desenvolver estudos relacionados ao calado dinâmico para aumentar sua eficiência. São investimentos em tecnologia e Inteligência Artificial para gestão dos portos.

O impacto positivo do Porto de Aratu na região

Olhando para o passado recente, podemos entender como um porto dessa magnitude pode, no futuro, influenciar o desenvolvimento de toda uma região. É um crescimento orgânico, principalmente vindo das relações entre empresas e da necessidade de uso do porto.

A Braskem, que já citamos, é um exemplo de empresa cuja operação tem uma forte relação com o porto de Aratu. Outro exemplo indicado pelo coordenador da Wilson Sons foi a vinda da Ford para a Bahia.

“Houve um grande investimento em melhorias no acesso ao porto de Aratu quando da instalação da Ford na Bahia, visto que os automóveis são movimentados por lá”, explica. São acessos melhores, novos investimentos em infraestrutura e um desenvolvimento natural do Estado.

Sobre o crescimento do porto, Ludwig entende que será muito importante o processo de privatização conduzido pelo Governo Federal, acreditando que a entrada da iniciativa privada poderá aumentar os investimentos, expandindo e modernizando o porto e seus ativos.       

Ele, no entanto, tem uma visão sobre o que precisa melhorar: “no que tange ao porto de Aratu, o píer de granéis sólidos carece de modernização dos equipamentos portuários. Para o de granéis líquidos, a maior demanda é por novos berços de atracação.”

Esse é o passo mais importante para o crescimento. Reforçar pontos fortes e investir na resolução de pontos fracos.

Levando em conta a influência do Porto de Aratu para a Bahia e o Brasil, é difícil apostar contra seu sucesso. Com estabilidade em momentos de crise e se preparando para voos maiores, o complexo tem tudo para ter um destaque ainda maior no futuro.

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