Porto de Santos: veja sua importância para o país e perspectivas para os próximos anos

porto de santos
8 minutos para ler

O Porto de Santos é um dos pilares da infraestrutura nacional, com terminais que recebem mercadorias de todo o país, movimentando uma parcela significativa das exportações e importações brasileiras. 

O Brasil foi descoberto em Porto Seguro, mas foi em São Vicente, ao lado de Santos, que os portugueses primeiro acostaram e iniciaram as rotas de comércio. Assim, em 1527, a alfândega de Santos passou a taxar os produtos. Era o início do maior porto do Brasil, que concentra mais de 65% do PIB do país. Porém, sua relevância vai muito além.

Para entender o panorama desse ponto de conexão com o mundo, conversamos com Philip Leslie, gerente da nossa filial de Santos. O especialista da Wilson Sons trouxe uma visão macro até os dias atuais e analisou como será o cenário pós-pandemia. Embarque na história do Porto de Santos!

O Porto de Santos 

O Porto de Santos é administrado pela Santos Port Authority (SPA). A empresa pública está vinculada ao Ministério da Infraestrutura, atuando em conjunto com áreas sob a administração privada.

O Porto se notabiliza pelo porte e localização privilegiada, sendo o maior da América Latina. Para dar uma noção exata, segundo dados oficiais, foram movimentadas cerca de 134 milhões de toneladas de mercadoria no complexo em 2019. 

Exportações 

Em relação às exportações, o volume ultrapassou 94,3 milhões de toneladas. Soja (18,7 milhões), milho (16,5 milhões) e açúcar (12,4 milhões) foram os principais destaques. As saídas desses produtos para o exterior representaram cerca de 37% de todas as exportações no complexo.

Importações 

Por sua vez, as importações nacionais ficaram em 39,6 milhões de toneladas. Fertilizantes (5,6 milhões), óleo diesel e gasóleo (2,5 milhões) e enxofre (1,7 milhão) causaram o maior volume.

Tamanho do complexo 

Para comportar o grande volume de trocas comerciais, a estrutura atual conta com 55 terminais marítimos e retroportuários, com área útil de 7,8 milhões de metros quadrados, segundo a página institucional.  

Nesse sentido, o complexo supera outras estruturas importantes, como o Porto do Açu e o Porto de Ponta Madeira. Além disso, são mais de 33 mil trabalhadores empregados, o que demonstra a robustez da infraestrutura. 

A importância desse porto para o comércio brasileiro 

A relevância para economia nacional, antes de tudo, é histórica. Embora tenha se organizado em 1892, com uma estrutura de 260 metros de cais construído, a localidade já era atuante no comércio e navegações marítimas, ainda que com estruturas rudimentares para as embarcações. 

Organização do Porto de Santos 

A organização do Porto de Santos tem início em 1808. Nas margens do estuário natural, que compõe o Porto, o sistema de trapiches foi substituído nessa época, após a abertura dos portos para as nações amigas. 

A organização da localidade, que tem como marco 1892, repercutiu também na cultura e sociedade brasileira. Com ondas sucessivas de imigrantes, graças à proximidade com campos e indústrias no planalto de São Paulo e Baixada Santista, o Porto se tornou o caminho de chegada daqueles que tentariam a vida neste solo. 

Modernização dos portos 

Outro marco histórico foi o início do processo de modernização dos portos, em 1993. Nas décadas de 1990, 2000 e 2010, o Porto de Santos ampliou sua capacidade operacional em quase 5 vezes, passando de 25 milhões de toneladas anuais para 115 milhões. “O Porto de Santos demonstra notável capacidade de adaptação”, acrescenta Philip. 

Localização e importância logística 

A importância dentro do sistema logístico fez com que a infraestrutura de logística fosse construída e modificada em função do Porto de Santos. Por exemplo, após as marginais Pinheiros e Tietê deixarem de ser vias periféricas, houve a construção do Segundo Rodoanel (2002), e o acesso pode passar “ao largo” de São Paulo, trazendo mais eficiência no ir e vir das cargas. 

A viagem de Santos a São Paulo, que, no século XVI, poderia levar mais de um mês, atualmente demora pouco mais de uma hora. Isso, sem contar a comodidade de não enfrentar nuvens de mosquitos, animais selvagens, tribos nada amistosas, mangues com profundidade variável e chuvas torrenciais. 

Outra adequação importante ocorreu em 2005. No meio da década de 2000, começou o preocupação com a disciplina do tráfego de caminhões no Porto. A partir daí, tivemos inúmeras mudanças que contribuíram para a logística: 

  • construção da avenida perimetral; 
  • criação de grandes áreas de estacionamento de caminhões em Cubatão, que permite que eles só saiam já bem próximo do momento de executar o serviço; 
  • estruturação do acesso de caminhões no sistema “just in time”, que eliminou as filas intermináveis;
  • harmonização, ainda que de modo discreto, da malha ferroviária com os horários de pico. 

Mais recentemente, a perspectiva é de continuar a expansão da capacidade. Por exemplo, com o término, em 20 de maio de 2020, do arrendamento das instalações do antigo terminal da LIBRA e nova licitação da União, o local nobre, devido ao calado acima de 13 metros, terá um papel importante, pois deve estar voltado para o comércio de celulose e grãos. 

Além disso, embora o projeto Barnabé-Bagres, que previa a construção de cerca de 22 novos berços de atracação, não tenha avançado, a DPW completou o berço número 4, prioritário para celulose, que deve alavancar esse segmento. 

Perspectivas para o futuro do Porto de Santos 

Na visão do especialista, o Porto de Santos passa por um momento interessante. Sem cair no senso comum de abraçar qualquer novidade, a inovação vem se desenvolvendo no complexo sem acomodação ou perpetuação de práticas antigas quando elas precisam ser realinhadas. 

A velocidade da mudança, no entanto, varia de acordo com o tipo de administração. No Porto de Santos, convivem partes sob comando do setor público e partes atribuídas à iniciativa privada, de modo que as transformações obedecem às características desses ambientes distintos. 

No primeiro, os ajustes são mais ágeis, As boas práticas, sugestões de melhorias e percepções encontram eco na gestão dos portos, ganhando fôlego para ser implementadas. 

Por sua vez, no setor público, as mudanças requerem rituais hierárquicos, cumprimento de exigências legais e controle da autonomia dos gestores. Assim, existe uma série de etapas para que os servidores públicos tenham segurança para promover ajustes. 

“O desafio está em encontrar um meio-termo, mantendo e aproveitando as boas lições do passado e mesclando com novas estruturas operacionais”, comenta Philip.  

Perspectivas pós-pandemia

No atual cenário, o futuro está em aberto, pois não se vislumbra com exatidão os reflexos no Porto. A Covid-19 é o fato histórico mais significativo desde a explosão das torres gêmeas ou, até mesmo, do fim da Segunda Grande Guerra, criando um cenário de incertezas.

Em termos operacionais, o Porto de Santos já vinha melhorando a relação entre volume movimentado e permanência dos navios atracados (period while alongside a berth), buscando produtividade e redução da estadia dos navios no porto. 

Para o futuro, os armadores (ou “carriers”), terminais, operadores portuários e donos das cargas terão de ir “em busca do tempo perdido”. A estadia terá de ser otimizada, de modo a tornar menos onerosos os custos e permitindo que navios realizem mais viagens em menos tempo.  

“A partir o ponto em que a pandemia perder força e se transformar em uma endemia, projeta-se cerca de 9 a 18 meses até as atividades portuárias retornarem ao nível de meados de dezembro de 2019”, prevê Philip. 

É bom lembrar, contudo, que a adaptação é um das grandes forças históricas do Porto de Santos, bastante impulsionada por uma população com vocação para o segmento.

“Com senso de visão dos gestores portuários, podemos contrabalançar esse grande infortúnio, que vem ceifando a vida de milhares de pessoas, com o foco na produtividade do Porto, buscando remover gargalos logísticos e, com isso, contribuindo para a efetiva reconstrução do nosso país”, conta Leslie.

Sendo assim, o Porto de Santos exercerá uma função essencial em nosso futuro, dando suporte à retomada da economia. Nas palavras do especialista, “o Brasil passou por Santos e há de passar novamente”. 

Para se aprofundar nos conhecimentos sobre a infraestrutura do nosso país,conheça os 10 maiores complexos portuários brasileiros

Você também pode gostar

Deixe um comentário