O potencial de crescimento dos portos do Arco Norte 

portos do Arco Norte
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O Brasil é um país de dimensões continentais, com capacidade produtiva que o coloca entre os maiores do mundo. Mas nada disso adianta se não existe infraestrutura para transformar produção em uma máquina de exportação global.

É por isso que os olhos do setor estão se voltando para os portos do Arco Norte. Hoje, vamos conversar sobre o potencial de crescimento desses terminais, quais são os portos emergentes na região e o que eles significam para o desenvolvimento do comércio internacional brasileiro. Acompanhe!

Quais são os portos que compõem o Arco Norte?

Antes de tudo, vale destacar o que é o Arco Norte na concepção portuária. Ele é definido pela rede de infraestrutura em volta, principalmente, de 7 portos brasileiros, 6 na região norte e 1 no nordeste:

  • Porto Velho – RO;
  • Miritituba – PA;
  • Santarém – PA;
  • Barbacena – PA
  • Itacoatiara – AM;
  • Manaus – AM;
  • Itaqui – MA.

São terminais portuários posicionados estrategicamente para expandir a rede de escoamento de produtos para exportação no Brasil, aproximando portos de produtores, além de incentivar o crescimento da economia agropecuária em novas regiões.

Isso sem contar, claro, com a proximidade maior de grandes mercados como Estados Unidos e União Europeia, sendo uma alternativa muito atraente frente aos portos já estabelecidos na metade sul do país.

Como os portos do Arco Norte estão ganhando importância para a produção brasileira?

Segundo o presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária – EMAP -, Ted Lago (responsável pela operação de Itaqui), “o ponto de partida é o investimento em infraestrutura. Existe agora a possibilidade de direcionar o que antes era exportado pelo sudeste para o Arco Norte.” Em termos práticos, isso significa uma nova rota de escoamento que fomenta a produção agropecuária na região.

Lago explica: “para as áreas de baixa produtividade que antes não compensava produzir em função da distância, com essa nova infraestrutura, as áreas passam a ser economicamente viáveis. O que favorece até o pequeno produtor.”

Sem essa infraestrutura, a região norte sofria de um dilema econômico: as opções viáveis eram os portos do sudeste, mas eles estão muito longe para compensar o custo de frete. Com o desenvolvimento do Arco Norte, esse potencial pode finalmente ser explorado. É um mercado gigantesco que surge dentro de uma capacidade produtiva que antes estava dormente.

Os diferenciais do Arco Norte

Outros dois profissionais da área concordam sobre esse potencial crescimento e apontam quais são os diferenciais que estão mudando os olhos do mercado interno e externo para esses portos. Wellington Leiros, gerente de rebocadores da WS na filial Belém, cita que “há muito espaço para crescimento e investimento em novos terminais e aumento da capacidade de armazenagem dos terminais já existentes. Eu imagino que a gente esteja vivenciando o início desse ciclo.”

Mateus Melo, gerente-geral do Consórcio de Rebocadores da Bahia de São Marcos (CRBSM, empresa do grupo Wilson Sons), aponta que existe também um importante quesito técnico a favor desse crescimento: “os portos têm um calado favorável para navios com maior porte, são áreas pouco exploradas e com grande capacidade de expansão da área portuária e da retroárea.”

Mateus ainda cita a relação com um dos maiores parceiros comerciais do Brasil, a China: a proximidade desses portos com o canal do Panamá pode encurtar em cerca de 11 dias a viagem para a Ásia.

Quais são os produtos que mais movimentam a região?

Para exemplificar esse crescimento, podemos citar números. Belém e Manaus tem os portos que mais movimentam contêineres na região, com destaque também para Itaqui em se tratando de graneleiros.

O maior destaque tem sido o escoamento de soja e milho pelo Arco Norte. Esses terminais já são responsáveis por quase um quarto da exportação de grãos no país, e essa relevância está longe de terminar.

Além disso, ainda há um escoamento significativo de petróleo e seus derivados, bem como fertilizantes. Ambos com grande crescimento no último ano.

O exemplo de Itaqui

O porto de Itaqui é um dos portos que puxam esse desenvolvimento do Arco Norte, principalmente pelo projeto TEGRAM (Terminal de Grãos do Maranhão), que pretende transformá-lo no principal porto exportador da região.

Ted Lago, que administra o terminal portuário, conta como tem sido esse desenvolvimento durante sua atuação em Itaqui: “temos, desde 2015 quando começou o nosso trabalho aqui, um porto delegado (a gestão é estadual). Fizemos investimentos para melhoria da operação, diminuímos em quase 60% o tempo de espera com o foco na operação, implementamos ferramentas de gestão como Kaizen e BSC.

Continua: “conseguimos melhorar a produtividade para permitir operar mais navios naquele mesmo espaço de tempo. Também houve uma mudança cultural, pois fizemos uma gestão da fila e temos colhido os frutos. Recentemente inauguramos o novo terminal de combustível. E com a previsão de construir mais um berço para carga geral.”

Segundo ele, Itaqui fechou 2018 com um recorde histórico de 22,3 milhões de toneladas em cargas movimentadas, consolidando sua posição como principal exportador de soja, milho e farelo do Arco Norte.

Hoje, o porto está com 1,2 bilhão de reais em investimentos, principalmente privados, e a ideia é alcançar o mais breve possível a marca incrível de 3 bilhões. Parece um sonho distante ainda? Muito pelo contrário! Com a expansão de terminais, modernização de gestão e o desenvolvimento da infraestrutura (como a pavimentação da BR-163, que já está com a conclusão prevista para o final deste ano, e a Ferrogrão, que tem leilão previsto para 2020), os portos do Arco Norte já são uma realidade para ampliar os horizontes brasileiros.

É o momento de crescer para todos os profissionais que atuam no setor dentro de nosso mercado: quem gerencia, quem produz, quem transporta e quem faz a ponte entre todos esses passos.

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