Conheça as tecnologias que facilitam a produção de Óleo e Gás

produção de óleo e gás
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A produção de Óleo e Gás — Oil and Gas — sempre foi uma das áreas industriais mais abertas à inovação tecnológica. Afinal, quem busca maneiras mais otimizadas e eficientes de explorar os produtos consegue tirar parte do peso operacional do orçamento e lucrar mais.

Agora que estamos entrando em uma nova década, é hora de olhar para o presente e o futuro. Quais tecnologias vão impactar na área nos próximos anos? Qual é a relação entre Indústria 4.0 e O&G?

Com ajuda de João Felipe Cardoso de Aguiar, Analista de Infraestrutura de T.I da Leser, vamos buscar juntos respostas para essas perguntas. Acompanhe!

A Indústria 4.0 no contexto da produção de Óleo e Gás

Historicamente a produção de O&G é resistente a mudanças. João Felipe descreve bem o cenário: “por ser um setor industrial, algumas tecnologias demandaram algum tempo até que consolidassem no mercado. Muitas soluções são feitas ‘na casa’ da companhia para atender determinadas demandas.”

Esse tipo de centralização tecnológica vem se desfazendo nos últimos anos, com barreiras internas e externas derrubadas naturalmente pela própria aplicação da tecnologia. Segundo vários especialistas e um consenso cada vez maior no mercado, estamos vivendo a quarta revolução industrial, apelidada de Indústria 4.0.

É difícil ir contra essa noção quando percebemos o quanto cresce a utilização de dados para formulação de estratégias de negócio em conjunto com novos paradigmas produtivos.

Isso reflete diretamente na produção de Óleo e Gás. Uma exploração mais eficiente, que gasta menos recursos para extrair mais material reflete imediatamente em toda a cadeia comercial no setor.

É a integração completa entre gestão e operação baseadas em dados. A partir dessa mudança, existe um universo de possibilidades capazes de incluir inteligência e tecnologia desde o planejamento até o consumo final.

As tecnologias que vêm transformando o setor

Quando falamos em Indústria 4.0, três tecnologias principais se destacam. São exatamente os pilares dessa revolução citados por João Felipe na hora de analisar o papel delas na nova rotina de O&G. Confira!

Internet das Coisas

O analista começa apontando a Internet das Coisas (de sigla universal IoT) como a grande aposta para o futuro da área: “eu fiz recentemente um estudo sobre IoT no setor de Óleo e Gás e achei incrível como uma tecnologia, até certo ponto, barata pode ser tão revolucionária.”

A IoT se caracteriza por dispositivos de ação específica, principalmente monitoramento e coleta de dados, capazes de agir de forma autônoma conectados a um sistema integrado por meio da internet.

João Felipe dá como exemplo seu estudo utilizando a solução para diminuir o furto de combustível ao longo de oleodutos: “na proposta, conectamos sensores de calor e presença IoT ao longo dos oleodutos, a fim de mapear estrategicamente os pontos mais críticos onde o produto das companhias era furtado ou perdido por conta de vazamentos. Os sensores se comunicavam com uma rede apropriada para Internet das Coisas, capazes de se comunicar por 3/4G — e 5G no futuro próximo.”

E continua: “depois desse processo de comunicação, os dados vindos do sensor eram traduzidos em informações legíveis no sistema para que o analista fizesse uma espécie de mapeamento de atividades ao redor dos dutos. Após todo o processo, percebi que o valor agregado à operação e à redução do prejuízo com furtos, poderia ser, de certa forma, revolucionário para o setor.”

Esse é apenas um dos exemplos de como a Internet das Coisas pode usar dispositivos especializados para ações complexas sem qualquer participação humana. É um exército de monitores trabalhando 24 horas por dia colhendo dados e apontando caminhos para a eficiência máxima em toda a cadeia de O&G.

Big Data

A Big Data é o conjunto de sistemas, softwares e metodologias para realizar análises em uma quantidade de informações que seria humanamente impossível de serem feitas manualmente. Diante desse novo cenário de IoT, imagine o volume de dados que esses dispositivos podem gerar para um sistema industrial.

A tecnologia libertou as empresas dessa limitação quando permitiu, por meio de armazenamento e estruturação, que elas mapeiem e monitorem quantos indicadores precisarem para tomar decisões e ajustar sua operação.

E se o foco da Big Data é em inteligência, a evolução natural do setor é sempre em direção à otimização. O que podemos esperar com isso é que todo o mercado veja um aumento produtivo usando cada vez menos recursos. É mais flexibilidade, agilidade e economia para toda a cadeia modernizada.

Inteligência Artificial e Machine Learning

Se o ser humano é incapaz de analisar volumes tão impressionantes de dados, que tipo de tecnologia pode fazer isso?

A Inteligência Artificial é outra grande aposta e demanda para O&G no futuro, principalmente depois da sofisticação de programas de Machine Learning.

Esse conceito, que pode ser traduzido como Aprendizado das Máquinas, consiste em dar à IA a capacidade de analisar grandes volumes de informação e aprender com elas por conta própria, sem que a TI precise inserir diretamente novos comandos e configurações.

O Machine Learning será utilizado para aumentar a eficiência dos próprios dispositivos IoT e as análises derivadas de seu monitoramento.

O resultado no futuro será uma Indústria que evolui em velocidade recorde, com programas capazes de encontrar novas respostas e formas de produzir e até colocá-las em prática sem que o ser humano faça parte desse processo.

As previsões para o futuro do O&G

Operação mais barata, adaptação mais rápida ao mercado e mais inteligência no trato do produto entre fluxos de extração, transporte e comercialização. É isso que se espera da Indústria 4.0 chegando ao setor de O&G.

Aqui no Brasil, esse tipo de revolução por dados pode ser ainda mais impactante. Afinal, a tecnologia é cada vez mais acessível e pode nivelar o campo para todos os mercados.

“Por ser um país em desenvolvimento, temos vários cenários desafiadores que países desenvolvidos ainda não tiveram como experiência. Esse é um fator-chave no qual o Brasil pode, de certa forma, se beneficiar”, disse o analista.

Ainda temos que investir muito na capacitação profissional para conseguir usufruir integralmente das novas tecnologias para a área. Mas, superando nossas primeiras barreiras, este pode ser o momento perfeito para que o país assuma mais protagonismo.

Afinal, como o próprio João Felipe comenta, “o Brasil pode aprender e — muito — com suas falhas estruturais e processuais”. Se um dos focos da revolução na produção de Óleo e Gás é incluir inteligência e eficiência, podemos estar vislumbrando a resposta perfeita para resolver de vez nossos maiores problemas.

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