Veja os cuidados necessários ao afundar embarcações para criar recifes artificiais

recifes artificiais
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Recifes artificiais são uma solução criativa para dar finalidade a embarcações que já não têm mais vida útil. É uma ideia para ajudar a fomentar turismo e estudos de biologia marinha perto da costa.

Por isso, a Wilson Sons já apoiou muito projetos desse tipo no Brasil. Para que você entenda um pouco mais sobre o que é esse procedimento e seus benefícios, vamos esclarecer todas as dúvidas que pode ter sobre o assunto.

Para explicar por que e como é possível afundar embarcações e criar novos recifes, convidamos a especialista em meio ambiente da Wilson Sons, Camila Pereira Felipe, e o diretor comercial de rebocadores da Wilson Sons, Jonathan Dumphreys. Acompanhe!

Quais motivos levam empresas e instituições a afundar embarcações?

“Afundar não é um naufrágio”, assinala a especialista em meio ambiente e bióloga, Camila Pereira Felipe. “Os naufrágios  são acidentes, já essas embarcações que são afundadas, são eventos planejados, são eleitas para uma finalidade nobre”, explica.

O afundamento de uma embarcação como recife artificial contribui para a preservação e uso sustentável dos oceanos, um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável previstos pela ONU no Pacto Global. A iniciativa simboliza a preservação de relações sociais e ambientais saudáveis. A estrutura de um recife artificial favorece a fixação da vida, em ambientes com fundo arenoso a fixação da vida marinha é muito mais difícil. As embarcações afundadas incrementam a produtividade pesqueira, o turismo e ao mesmo tempo protegem a biodiversidade impedindo a pesca predatória com o uso de redes de arrasto nos fundos marinhos.

A bióloga e especialista em meio ambiente, Camila Pereira Felipe, aponta que esse processo é muito relevante para a vida e proteção marítima. “O recife artificial que pode ser formado por cascos de rebocadores, cria um ambiente propícios para criar e proteger a vida marinha. As espécies buscam esses pontos de fixação e acolhimento. E a embarcação vai sendo colonizadas e se tornando “viva”.” 

Para Camila, isso também aumenta a vida útil daquele casco a que, como rebocador gira em torno de 30 anos em média, mas como recife, depois de aposentada, ainda pode colaborar longos anos com a vida marinha.

Segundo os especialistas, a motivação para o processo pode ser variada:

  • dar finalidade a embarcações que não são mais viáveis para uso comercial;
  • incentivar o turismo subaquático (como é feito em Recife);
  • impedir a pesca por arrasto em áreas a serem protegidas;
  • fomentar a pesca local, uma vez que se aumenta a quantidade de vida e de peixes na área, diminuindo a necessidade de pescadores fazerem grandes deslocamentos;
  • incentivar e facilitar a pesquisa científica (já que recifes são regiões muito ricas em biodiversidade marinha).

Que tipos de navios são utilizados no processo?

A Wilson Sons trabalha com rebocadores (tugboats) na criação de recifes artificiais, um tipo de embarcação muito propícia para esse fim. Como o diretor comercial, Jonathan Dumphreys, aponta, é uma forma de dar um fim útil à sociedade e ao meio ambiente depois que ele não tem mais essa utilidade para o mercado.

Ele pondera que o rebocador tem vida útil de algumas décadas, podendo chegar a 60 anos de uso. Mas em um contexto comercial, ele se torna economicamente inviável antes disso.

“Com o tempo, a manutenção fica muito cara, o rebocador não atende mais a manobras necessárias ou sua estrutura fica defasada para implementação de novas tecnologias”, detalha Jonathan. Nesse momento, toma-se a decisão de desativar a unidade da frota, e o recife artificial se mostra como uma alternativa interessante ao simples descarte.

Como se dá o afundamento?

Desde a hora que é decidido o afundamento até a sua execução, podem se passar 2 anos entre licenciamentos e preparação do rebocador. Para afundar a embarcação, é obrigatório que seja retirado todo canto vivo (cortante), materiais poluentes (óleos e combustíveis, baterias, lâmpadas, tintas) o óleo, tintura e e também aqueles que possam flutuar, como plástico, madeira e vidros. A ideia é que apenas a casco de aço maciço venha a submergir.

É necessário também definir o objetivo para o qual o procedimento está sendo feito. Ou seja, se é pesquisa, proteção ou controle, atividade recreacional do mergulho, ou mesmo se é para fazer fundos artificiais.

A legislação é rigorosa e o trabalho demanda estudos e aprovação com os órgãos responsáveis pela conservação ambiental e segurança marítima, como Ibama e a Marinha do Brasil, respectivamente. “A Wilson Sons começou esse projeto com dois colaboradores que eram também mergulhadores, demonstrando um profundo respeito pelo mar, que lhe serve como trabalho”, comenta Camila.

Todo recife artificial é instalado para atender um ou mais propósito, que podem ser por exemplo o apoio a pesca, proteger e recuperar a biodiversidade, mergulho recreacional e a pesquisa científica.

Estas finalidades são todas definidas pelos órgãos responsáveis em acordo com a legislação para que os recifes artificiais não ofereçam riscos aos habitats naturais existentes e à navegação.

Com toda essa preparação concluída, a execução em si é relativamente simples, rápida e segura. Um rebocador leva a embarcação até o local definido. Lá, basta abrir a válvula de fundo e o rebocador submerge naturalmente. As embarcações Wilson Sons afundadas até o momento repousam entre 25 e 48 metros de profundidade, onde servem de acesso fácil tanto para turismo quanto pesca e estudos científicos.

Quais cuidados devem ser tomados ao criar recifes artificiais?

Como nossos especialistas contam, o afundamento de embarcações é um processo que, bem coordenado, pode ser seguro e simples, desde que todas as medidas de segurança e determinações normativas já tenham sido consideradas. Portanto, os maiores cuidados estão nessa preparação e organização do projeto, para que não haja nenhum dano ao meio ambiente ou às atividades econômicas e acadêmicas na região.

Um exemplo que o diretor da Wilson Sons nos dá é sobre a remoção da tinta utilizada em algumas dessas embarcações: “Muitos anos atrás, a tinta podia ter ingredientes para evitar a formação de cracas. Nos anos 1980 e 1990, verificou-se que era nociva ao meio ambiente e novas tintas começaram a ser fabricadas. Mas algumas embarcações antigas, de outra época, ainda poderiam ter.”

A retirada das peças do navio a ser afundado também é um ponto de atenção. Nenhum elemento móvel pode afundar junto com ele, principalmente de materiais que não são o aço.

É um processo meticuloso que exige procedimentos de retirada e destinação correta para esses elementos. Principalmente a retirada de óleo é um foco de atenção, já que a permanência de qualquer resíduo pode contaminar a água e a vida naquela área.

Mas se tem um ponto em que os especialistas concordam é que, com os devidos cuidados e seguindo a legislação, afundar embarcações é uma estratégia incrível para pesquisa, mercado e turismo. Por um lado, dá uma continuidade bonita e útil para embarcações que não serão mais aproveitadas comercialmente. Por outro, incentiva a economia de uma região, fomenta o turismo e a pesca e facilita o estudo de espécies marinhas em grande diversidade.

Nesse sentido, podemos dizer que recifes artificiais marinhos são outra prova do comprometimento e responsabilidade da Wilson Sons. Estamos há 180 anos ajudando o desenvolvimento marítimo do Brasil e utilizando nossa posição para ajudar a sociedade brasileira e o mercado como um todo.

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