Reduzir o consumo de combustíveis fósseis: veja as boas práticas

reduzir o consumo de combustíveis fosseis
9 minutos para ler

A mentalidade do mundo está mudando e, também, a forma de produção. A busca mundial por reduzir o consumo de combustíveis fósseis é uma tendência que deve se expandir exponencialmente nos próximos anos, tendo a pegada de carbono como métrica mais importante para uma transformação dentro de empresas em todos os setores.

E por que mudanças de combustível são tão necessárias? Como as empresas, inclusive do setor de Óleo e Gás (O&G), estão se preparando para investir mais em energia limpa? E o papel do Brasil nesse cenário?

Para responder a essas perguntas, contamos com a ajuda de Manuel Luís M. Thompson-Flores, CEO da Green Fuels Ventures América Latina Ltda., que nos fala mais sobre a nova consciência e sobre como o mercado deve se adequar. Confira!

Por que é importante reduzir o consumo de combustíveis fósseis?

O início da extração comercial de petróleo e outros combustíveis fósseis foi uma revolução para a humanidade. Não há discussão quanto a isso.

Porém, o crescimento exponencial por demanda para essa categoria de matriz energética está finalmente demonstrando seus sinais de impacto na Terra e no bem-estar de seus habitantes.

A queima desse tipo de combustível é um dos grandes responsáveis pelo aumento de gás carbônico (CO2) na atmosfera, um dos agentes causadores do efeito estufa ou aquecimento global — quando a própria atmosfera dificulta a dissipação do calor vindo do Sol de volta para o espaço.

Muito se debate sobre o assunto, com discussões acaloradas e apontamento de dedos, mas, felizmente, a indústria de energia e seus prestadores de serviços estão percebendo a necessidade de investir em energia limpa para a própria sustentabilidade.

A busca é por combustíveis sustentáveis e desenvolvimento de matrizes energéticas que reduzam o quanto mandamos de CO2 para a atmosfera e, assim, evitar que o nível de temperatura no planeta se eleve, gerando eventos climáticos mais agressivos e destruidores.

Essa não é uma questão de diminuir a produção ou deixar de expandir ou investir em crescimento. É uma necessidade de sobrevivência do próprio mercado e da economia em geral. Assumir hoje a exploração e a comercialização sustentável de combustível é uma garantia de que haverá consumo e novas oportunidades no futuro.

Como as empresas estão se relacionando com essa questão?

A necessidade de reduzir a emissão de carbono na atmosfera não significa que empresas do ramo de combustíveis fósseis e outras adjacentes vão simplesmente desaparecer do mercado.

Pelo contrário, essas são as organizações capazes de liderar uma mudança de dentro para fora, com a própria reestruturação de suas atividades e um foco maior em sustentabilidade — que, inclusive, é uma das maiores tendências no mercado de Óleo e Gás, acelerando o processo de diversificação da matriz energética.

Manuel Luís fala exatamente sobre esse setor vital para a transformação energética na humanidade, quando comenta que “historicamente, essas empresas têm respondido à demanda dos consumidores e da indústria por energia, e não acho que seja certo culpá-las exclusivamente por atender nosso consumo.

Todos compartilhamos parte da culpa. A questão é: agora que sabemos que a mudança climática é real e que a sociedade precisa reduzir suas emissões de carbono, o que essas empresas estão fazendo a respeito?”

A visão do CEO é essencialmente positiva nesse aspecto. A proposta que reflete em ações e investimentos feitos atualmente é uma transição planejada para energia limpa de forma a combater o efeito estufa e mitigar os impactos que isso pode causar em negócios já consolidados, cadeias integradas de produção e suprimentos etc., oferecendo novas oportunidades de desenvolvimento sustentável e geração de empregos.

Afinal, organizações nesse setor são as em melhor posição para acelerar uma mudança. São especialistas em extração, preparo e distribuição do combustível que move o mundo. São profissionais que têm o conhecimento necessário e podem aplicá-lo em formas inovadoras de produzir energia sustentável. Esse processo já começou e está acelerando.

Portanto, com boas políticas públicas e a percepção do mercado movendo para a importância de reduzir a emissão de carbono, stakeholders como acionistas, diretores e o próprio público estão naturalmente começando a exigir mudanças levando a essa revolução.

O que é a pegada de carbono?

Diante da necessidade de reduzir as emissões de carbono, as empresas buscam demonstrar uma maior preocupação com o futuro da sociedade não só pela responsabilidade corporativa, mas também por ganhos na gestão da reputação (e, cada vez mais, oferta de valor ao acionista), manutenção de seu market share e retorno econômico. 

Isso não é um problema. Pelo contrário, incentiva outros negócios a investirem na energia limpa para manter seu market share. E a pegada de carbono é a medida mais utilizada para traçar esses objetivos e fazer uma comunicação simples e eficiente ao público.

Do inglês “carbon footprint”, a pegada de carbono é um método para calcular a quantidade de CO2 (gás carbônico) emitida na atmosfera resultante direta ou indiretamente da operação de uma organização.

Ou seja, a métrica não leva em conta apenas a energia e os poluentes gerados na empresa, mas também aqueles emitidos para produzir os insumos que ela utiliza e, consequentemente, a aplicação de seus produtos/serviços.

Geralmente, a pegada de carbono é vista como um saldo. O foco de negócios tem sido reduzir as emissões, buscar fornecedores que fazem o mesmo e realizar ações que compensem o carbono emitido até chegar em uma pegada zero.

Que medidas as empresas estão adotando para reduzir o consumo de combustíveis fósseis?

Com a demanda por processos mais justos e sustentáveis aumentando, podemos ver que muitas empresas ensaiam uma adequação ao que vem sendo exigido pelo mercado. Ao mesmo tempo, também devem cuidar para não caírem no chamado greenwashing, ou seja, na manipulação do desempenho sustentável que não reflete de fato mudanças reais para reduzir as emissões de carbono.

Nos exemplos a seguir, é possível ver o que empresas em todos os setores estão fazendo para impulsionar esse novo paradigma.

BPBunge Bioenergia

A joint venture da BP e Bunge e a BP Bunge Bioenergia, recém-criada para apoiar a crescente demanda brasileira por bioenergia de baixo carbono, evidencia bem a transformação em andamento na indústria.

A JV permitirá potencializar as melhores práticas compartilhadas para avançar em eficiência e sustentabilidade, maximizando o uso da tecnologia e identificando oportunidades para desenvolver capacidades futuras nesse mercado crucial de energia e atender à crescente demanda por biocombustíveis e bioeletricidade.

Vale

A Vale recentemente criou um programa denominado Carbono Neutro. Com um investimento planejado em US$ 2 bilhões — o maior até agora no setor de mineração —, o plano é reduzir as emissões de carbono por um terço até 2030 e zerar a pegada de CO2 até 2050.

Unilever

A Unilever utiliza muitos materiais derivados de combustíveis fósseis em seus produtos. A ideia da empresa é investir 1 bilhão de euros para substituir 100% desses insumos globalmente.

Microsoft

Estando na ponta do setor de tecnologia, a Microsoft é uma empresa que pode servir de exemplo — já que é uma das grandes áreas responsáveis por essa emissão de CO2.

A proposta da Microsoft é ousada. A empresa não quer apenas zerar sua carbon print, mas tornar-se carbono-negativa até 2030. O plano é remover do ambiente todo o carbono emitido desde sua fundação em 1975.

Shell

A empresa, uma das maiores no setor de O&G, espera zerar sua pegada de carbono até 2050. A proposta é investir mais em energia renovável, ao mesmo tempo em que desenvolve novos processos, técnicas e ferramentas para diminuir a emissão durante a cadeia produtiva. É um esforço que vem sendo acompanhado por várias empresas similares.

Qual a posição do Brasil nesse cenário?

O Brasil está em posição privilegiada para essa nova era energética, por isso empresas no país já estão investindo no desenvolvimento dessas novas matrizes.

Afinal, temos um potencial incrível para a exploração sustentável de recursos. “Acreditamos que o país seguirá esse caminho, com derivados de biomassa (e, portanto, carbono zero) e combustíveis drop-in, como biodiesel, HVO, Green Diesel e bioquerosene (que não requerem modificações caras e demoradas nos sistemas de propulsão e infra-estrutura de entrega), aproveitando os seus recursos e a sua liderança agrícola”, afirma Manuel. 

O CEO da Green Fuels Ventures ainda exemplifica com projetos que já estão em andamento na Zona da Mata mineira e no Cerrado. A proposta é recuperar áreas degradadas com o foco na exploração de matéria-prima para combustível sustentável.

Embora ainda haja resistência e/ou muita burocracia em torno do assunto, a verdade é que a pressão do mercado e dos investidores já está impulsionando essa mudança. 

Com a conscientização da população que demanda por essa energia e a modernização de empresas que buscam novas matrizes energéticas, o esforço para reduzir o consumo de combustíveis fósseis está aqui para ficar. Quem atenta a essa transformação pode se preparar antes da média do mercado.

Gostou do nosso artigo? Então fique atualizado sobre as mudanças no mercado em nossas redes sociais: LinkedIn, Facebook, Twitter, Instagram e YouTube!

Você também pode gostar

Deixe um comentário