Operações ship-to-ship: o que motivou o crescimento dessa modalidade?

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Foto: Carlos A. Oliveira Júnior/TexEngen Brasil
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Se você tem se informado sobre novidades e notícias no universo do transporte marítimo, deve encontrar com mais frequência informações sobre operações ship-to-ship. Essa não é apenas uma impressão.

A modalidade está se tornando mais comum no Brasil, com um aumento significativo no volume de execuções, impactando a logística do mercado de O&G (Oil & Gas).

Quer entender melhor o que é essa operação e por que empresas estão apostando nela? Com participação de Thiago Ribeiro, gerente regional de Ship-to-Ship da Fendercare, vamos conversar bastante sobre o assunto. Confira.

O que são operações ship-to-ship?

Uma operação ship-to-ship nada mais é do que a transferência de cargas de petróleo e derivados de um navio diretamente para outro, sem passar por qualquer estrutura em terra.

O processo vem se tornando mais comum no Brasil com o avanço de tecnologias que o facilitam e novos procedimentos seguros que mitigam riscos e o tornam mais viável.

Existem duas formas mais comuns de ser feito o ship-to-ship:

  • com navios atracados, também conhecido como double banking;
  • com os navios em movimento e offshore, denominado de underway.

Como esse tipo de operação vem crescendo?

O ship-to-ship vem se expandindo por uma necessidade do nosso país, acima do comportado por nossa estrutura portuária atual.

“O crescimento vem do aumento da produção de óleo no país, que atualmente supera a nossa capacidade de refino. Isso abre portas para a exportação de óleo cru e para os mercados consumidores, em especial na Ásia e na Europa, seja por ship-to-ship atracado ou underway”, afirma Thiago Ribeiro.

Segundo ele, a modalidade offshore desse procedimento é a que mais cresce exatamente por essa deficiência — além, é claro, do desenvolvimento de técnicas e tecnologias mais seguras para a prática.

Aliás, a segurança é um grande foco nessa expansão. Uma demonstração disso é que a própria Marinha realizou recentemente a regulamentação da operação ship-to-ship, além de um acordo entre ANTAQ e ANP para cooperação técnica em seu desenvolvimento.

Isso é consequência dos riscos ligados a esse tipo de procedimento quando realizado sem preocupações rígidas com a segurança. Afinal, o vazamento de cargas O&G representa um prejuízo imediato ao meio ambiente, além dos custos necessários para conter seu impacto.

Esses riscos podem estar na atracação entre navios, durante a movimentação da carga e em muitas outras etapas minuciosas e delicadas. Por isso, a utilização de provedores do serviço capacitados é fundamental.

O que favoreceu o crescimento dessa operação?

Não foi por acaso que o ship-to-ship começou a se expandir recentemente na logística marítima brasileira. Veja alguns fatores que contribuíram para esse crescimento.

Expansão produtiva brasileira

Como já dissemos, o aumento no volume de exportação de petróleo e derivados tem grande influência nesse crescimento. Empresas em toda a cadeia de logística e transporte precisam buscar alternativas para comportar a oferta e a demanda atuais.

Capacidade logística

O aumento da produção foi exatamente o que criou um gargalo na infraestrutura portuária brasileira. A própria Petrobras tem portos particulares onde faz esse tipo de operação, mas apenas alguns portos privados estão preparados para a transferência.

Portanto, a modalidade underway se torna mais atrativa por ser offshore, sem contar a possibilidade de otimizar rotas para que esses navios se desloquem por distâncias menores, por não precisarem ir até o porto para receber a carga.

Capacitação técnica

Como a segurança é uma prioridade no ship-to-ship, esse crescimento só se torna viável com a capacitação e especialização de profissionais em um procedimento tão específico.

Empresas vêm investindo na preparação tanto de operadores quanto de gerentes de operações que planejem e executem cada uma delas com rigor, parametrização e acompanhamento próximo de riscos.

Operação de empresas especializadas

Não só os profissionais estão se preparando melhor, mas também as empresas. O crescimento de negócios voltados para a operação ship-to-ship reflete a busca maior por ela.

Thiago é um exemplo disso: “A Fendercare, no Brasil, está há quatro anos focada no desenvolvimento e aprimoramento das operações ship-to-ship offshore”. Essa especialização cria uma expertise maior e mais dinamismo de mercado, aumentando a eficiência e a capacidade de execução de um procedimento tão técnico.

Mais segurança

E não podemos deixar de relembrar: se a segurança é um grande fator no ship-to-ship, o desenvolvimento de ferramentas, etapas e profissionais especializados diminui consideravelmente os riscos envolvidos na operação.

Menos riscos sempre significam menos custos, aumento da oferta, redução de seguros, eficiência e agilidade de procedimentos.

Qual é o futuro do ship-to-ship no Brasil?

Todos os fatores de crescimento do ship-to-ship estão apenas em suas etapas iniciais de desenvolvimento. Quando olhamos para o futuro, vemos melhores tecnologias, uma produção que não para de crescer e olhos do mundo mais atentos ao mercado brasileiro.

Ou seja, a perspectiva é que apareçam cada vez mais oportunidades. Thiago resume bem como todos esses elementos só tendem a se aperfeiçoar com o tempo: “Também há a perspectiva de maior profissionalização. Hoje, as empresas que estão aqui são todas muito sólidas e especializadas nesse tipo de operação, pois as exigências regulatórias e técnicas são altas. Portanto, apesar de ainda serem empregados recursos de fora do Brasil nas operações, estamos desenvolvendo profissionais por meio de treinamentos e criando uma boa bagagem nesse sentido”.

Ele também aponta como a operação ainda está em sua infância no Brasil e que, por isso, as oportunidades estão aí para ser aproveitadas: “A nossa empresa faz quase 3 mil operações anuais no mundo: a contribuição do Brasil é de uma pequena, porém importante, parcela. O assunto é novo por aqui, mas os padrões são altíssimos. O mercado está amadurecendo e vai crescer”.

E não há dúvidas quanto a isso. Com o desenvolvimento de técnicas e de pessoas, a participação cada vez maior de empresas especializadas e o aumento da produção de petróleo e derivados no país, nosso futuro é animador.

Afinal, desenvolvimento traz desenvolvimento. Com o avanço da modalidade, podemos esperar mais navios, logísticas mais avançadas e até uma busca dos portos brasileiros em adequar a sua infraestrutura para operações de double banking.

Podemos dizer que o ship-to-ship é um sinal de novos tempos e uma modalidade para se ficar de olho. Se tem algo que podemos prever do futuro, é que ela terá muita influência na forma como o setor vai se preparar daqui para frente.

Quer ficar ainda mais por dentro do transporte marítimo de petróleo e derivados? Então, veja este artigo sobre a logística de transporte de O&G (Oil & Gas)!

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