A maior ruptura de todas

terminais marítimos
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Os terminais marítimos de contêineres na era da Logística 4.0

Embora a evolução do papel dos terminais marítimos de contêineres é contínua desde a criação do Box Container por Malcom Mclean, em 1956, nada se compara à ruptura em curso causada pela revolução 4.0

No início, a evolução foi lenta. Os terminais marítimos, em todo o mundo, serviam apenas ao propósito de descarregar e carregar contêiner cheios e vazios e embarcar os suprimentos de bordo, e as demais operações eram realizadas pelos usuários ou terminais retro portuários. 

Ano a ano, a busca por agilidade no transbordo de contêineres foi sendo cada vez mais perseguida. Com a decisão dos armadores de aumentar a capacidade e reduzir a velocidade dos navios de longo curso, fazendo transbordo para navios menores em Feeder Service, novas mudanças foram acontecendo. Esse incremento da velocidade, eficiência e a busca por redução de custos dos terminais fez com que o uso de novas tecnologias fosse imprescindível, exigindo cada vez mais investimentos nessa área.

Pelo lado do embarcador, ironicamente, surgiu o mesmo esforço de padronizar processos industriais, — necessário quando houve a busca por mão de obra mais barata e que levou à produção para longe do consumidor — que agora facilita um percurso inverso. Essa padronização do passado pavimentou o caminho para a substituição da mão de obra não qualificada por robôs, impressoras 3D e outras inovações. 

Ou seja, com a criação da tecnologia que substitui o trabalho humano por máquinas ficou fácil trazer parte da produção para perto do consumidor novamente. Pois agora a tendência é  a mudança das rotas marítimas mais uma vez. A tecnologia da informação criou o consumidor Just in Time — compramos cada vez mais online, queremos menor custo e esperamos receber o produto em horas. 

A nova logística conectada da era 4.0 tem gerado enormes oportunidades para Startups, desenvolvedores de softwares e Joint Ventures de atuar junto ao operador tradicional e empresas de TI.  Nessa busca, todos se debruçam sobre tecnologias como a internet 5G, Blockchain, Lot, Inteligência Artificial, Machine Learning, Big Data,Impressora 3D e muitas outras. O objetivo é a busca de produtos para capacitar as grandes empresas de logística para o novo mercado.

A corrida é pela criação de aplicativos com o objetivo de atender às novas formas de consumir, de produzir, de organizar o Supply Chain Global e de poder distribuir em regime de Just in Time para o novo consumidor. Para tal, há grandes investimentos no aumento da capacidade de monitorar as operações, rastrear cargas, aumentar a transparência, criar fluxos contínuos operados por máquinas e reduzir erros e custos.

Os resultados transformaram parte do mercado de transportes. Já se consolidou o atual conceito da melhor utilização dos ativos próprios e de terceiros por meio de aplicativos. As empresas de vendas online, de marketplace, aplicativos de uso de ativos de terceiros, 3 e 4 PLs, armadores e terminais que os atendem estão nessa corrida. 

Cada vez mais a competitividade dos negócios depende da maior velocidade e menor custo das operações logísticas. O transit time está sendo aproveitado para fazer parte do processo produtivo. Parte da montagem de componentes ou acabamento de produtos já estão sendo feitos a bordo de navios ou em terminais marítimos.

Por conta de tudo isso, o terminal marítimo vem exercendo novos papéis e outros virão. Ele deixou de atender apenas às necessidades do armador para, cada vez mais, fazer parte da cadeia logística para todo o mercado. Armadores e 3 e 4 PLs planejam, em parceria com os terminais que os servem, o atendimento E2E, seja para oferecer o serviço aos operadores logísticos ou como uma extensão de seu próprio negócio.

É, portanto, hora de voltar para a escola e aprender logística 4.0. É essa ruptura que está tornando os terminais marítimos de contêineres em centrais logísticas de apoio, não somente ao armador, mas a toda a indústria, como parte intrínseca do processo. E, sem dúvida, os legisladores e órgãos reguladores têm que acompanhar esse fenômeno de perto e com agilidade para incentivar essa ruptura positivamente.

O desafio maior para empresas, executivos e legisladores é o de conseguir se antecipar aos acontecimentos para não sucumbir e melhor aproveitar as imensas oportunidades.

Nota

Há quase 30 anos o Grupo Guia Marítimo foi pioneiro na discussão das potenciais rupturas do mercado da época. Por 10 anos, nos fóruns da Intermodal South América, discutiu com sucesso a privatização dos terminais e o Operador de Transporte Multimodal. 

Isso é passado. Agora, o Guia Marítimo se atualiza para fazer parte da nova era de ruptura, ainda maior. Em parceria com a Nürnberg Messe Brasil, ela criou as Logitechs, um novo fórum de discussão e exposição da Logística Conectada 4.0. para cada setor específico. Já foram criadas com sucesso a Logitech Science que ocorre em paralelo à FCE Pharma e Cosmetique, maior feira e conferência anual do setor farmacêutico e a Logitech Varejo, em paralelo ao já consolidado 5º Latam Retail Show e pode ter certeza que outras virão.

Por Martin von Simson

Diretor do Guia Marítimo

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