Qual é a importância da TI nas operações marítimas? Veja aqui!

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Assim como outras áreas de mercado que dependem muito da eficiência de processos, da qualidade da comunicação e do controle de dados, empresas que atuam em operações marítimas estão vendo suas TIs se tornarem um departamento estratégico para o sucesso. E essa tendência foi acelerada ainda mais com a necessidade de adaptação nas rotinas desses negócios por causa da pandemia de Covid-19.

Quer entender melhor o papel da TI nas operações marítimas de hoje e para o futuro? Neste artigo, convidamos Juliano Maia, gerente de tecnologia da Wilson Sons Rebocadores com mais de 20 anos de casa, para entender como essa mudança está impactando o setor. Confira!

O que é preciso para as operações marítimas em tempos de home office?

Uma questão interessante para ser levantada é que, acerca da tecnologia no agenciamento marítimo (shipping agency), boa parte do trabalho em portos brasileiros já é feita de forma remota, com apoio de infraestrutura tecnológica de ponta.

“Temos uma frota de 85 rebocadores (tugboats) que opera desde Trombetas até Rio Grande”, explica Juliano sobre toda a capacidade operacional apresentada pela Wilson Sons em 25 portos espalhados pelo país. “Toda ela é coordenada pela central de operações em Santos 24/7 de forma inteiramente remota”, conta.

Os números da WS demonstram o tamanho da estrutura necessária hoje para fazer esse tipo de gerenciamento de maneira competitiva. São 33 antenas, além de sistemas e outros ativos tecnológicos que permitem tamanha integração operacional.

É um tipo de ambiente virtual sofisticado e de alta performance, que já pode ser em boa parte adaptado para o uso em home office. Nele, é possível:

  • planejar operações com antecedência;
  • monitorar e controlar velocidade de embarcações;
  • gerenciar operações de atracar e desatracar;
  • identificar áreas de risco (No Go Areas) e emitir alarmes.

Além disso, a TI de uma grande empresa no setor também é capaz de sustentar grande parte da rotina dentro e fora dos barcos, como inspeções, registros de manobra, eventos de manutenção, entre outros.

Segundo Juliano, “até pouco tempo atrás isso tudo era papel”. Hoje, a operação é toda feita em sistemas digitais, inclusive em lugares muito remotos, evitando desgaste de pessoal e de tempo.

O que a pandemia nos ensina sobre o novo papel da TI?

É só olhar em direção aos investimentos no setor marítimo nos últimos anos e perceber como o papel da TI vem se tornando cada vez mais estratégico dentro das empresas. A pandemia foi, nesse sentido, um choque de realidade para negócios que ainda não estão investindo como deveriam em tecnologia.

Depois de acompanhar duas décadas desse processo de evolução, Maia vê na prática essa mudança: “com a pandemia, restringimos muito o acesso a bordo para não haver contaminação à população. No tempo do papel, isso seria impossível de fazer”.

Mesmo que após esse período de distanciamento social a rotina de trabalho presencial torne-se outra vez a norma nessas empresas, o futuro que se vislumbra para a operação marítima é a redução gradual da necessidade de limitar trabalhadores a espaços físicos.

A economia e a eficiência sempre serão o motor desses negócios. Ainda mais quando a automação e simplificação de processos operacionais tornam toda a cadeia segura e lucrativa.

Dentro desse cenário, o que se espera dos profissionais de tecnologia hoje é um esforço em conjunto a outras diretorias para:

  • investir em soluções mais eficientes para operação e administração da empresa;
  • melhorar processos tanto na agilidade quanto na qualidade do trabalho produzido com uso de ferramentas especializadas;
  • implantar ferramentas de comunicação e gerenciamento de time, com planejamento para a estrutura de trabalho remoto visando à entrega de resultados;
  • desenvolver soluções próprias que otimizem o core business dessas empresas e criem diferenciais competitivos no mercado.

Nesse contexto, a TI nas operações marítimas não é importante apenas para este momento de exceção. O setor vem se tornando a base de todo o planejamento e execução de novas estratégias para o futuro. O home office é uma consequência positiva dessa preocupação.

Quais tecnologias são mais utilizadas?

Para empresas que têm operações tão minuciosas, a TI precisa trabalhar com foco na integração e na confiabilidade de processos. Juliano Maia conta, por exemplo, que a rotina de seu trabalho na WS Rebocadores é de constante pesquisa, adoção e revisão de soluções para atingir sempre o máximo possível de produtividade remota.

Nesse sentido, existem algumas tecnologias sendo adotadas que despontam como as tendências mais importantes para o setor marítimo no futuro, tanto no home office quanto operação presencial. Podemos destacar três principais a seguir.

Sistemas de gestão

A gestão dos processos executados a bordo, em sua grande maioria, tinha como solução formulários diversos em papel onde se via a necessidade de enviar uma pessoa de terra para bordo, a fim de recuperar esses documentos e posteriormente realizar o input em sistemas diversos ou criar a gestão através de planilhas auxiliares distribuídas por muitas filiais. Todos estes processos, da forma como eram executados, geravam ineficiência e custos, além de ocasionar erros de processo e falta de visibilidade do andamento e controle das solicitações.

Para resolver esta questão foi buscada uma solução de BPM (Business Process Management), onde foi possível redesenhar todos os processos e torná-los mais eficientes e precisos, trazendo também a integração completa com outros sistemas da empresa.

Para o sucesso do projeto foi fundamental a revisão dos processos. “A tecnologia por si só não responde a todas as nossas necessidades, o mais importante, sem dúvida alguma, é fazer um olhar crítico dos processos atuais e redesenhá-los para que tragam a melhor eficiência”, explica Juliano.

Além da solução de BPM, também foi implantada a solução de GED (Gestão Eletrônica de Documentos). “A solução de GED nos permitiu disponibilizar para todos os tripulantes as documentações de qualidade, anteriormente tínhamos a necessidade de manter estes documentos atualizados em arquivo físico no interior de cada embarcação” detalha o especialista, acrescentando que também utilizou o GED para dispor de diversos vídeos de treinamento para a tripulação.

Todas as soluções foram, assim, integradas em uma única plataforma de simples acesso para toda a tripulação, via browser ou smartphone. 

Sistemas de controle

Aliado aos sistemas de gestão, as agências marítimas precisam de plataformas ainda mais especializadas de controle para realizar esse trabalho remotamente.

Um grande exemplo disso é o sistema de gestão de filas e movimentação nos portos. A eficiência da tecnologia, nesse caso, pode aumentar em muito a agilidade e a inteligência no controle em terra e em mar, dando maior lucratividade a todos os envolvidos na cadeia.

Existem várias possibilidades para esse monitoramento, e é responsabilidade da TI encontrar as soluções que trazem mais retorno ao setor. Juliano nos conta sobre um desses esforços, o projeto para colocação de câmeras a bordo das embarcações.

“Com esse investimento, podemos acessar remotamente as imagens e ter uma visibilidade clara do que acontece”. Ele ainda conta sobre execução de iniciativas de suporte operacional: “temos cabeado as embarcações de internet para dispor melhor acesso à internet à tripulação na praça de máquinas e refeitório. Isso permite conectividade e transformação digital”.

Ferramentas de Big Data e segurança

Todas essas transformações na capacidade produtiva em operações marítimas são baseadas na coleta e utilização automática de um volume cada vez maior de informações. O conceito é conhecido como Big Data.

Por isso, uma das grandes tendências para o futuro é o investimento pesado em tecnologias de Inteligência Artificial — devido à limitação humana de analisar rapidamente uma quantidade absurda de informação.

“A decisão que o operador precisa tomar é muito imediata”, comenta Juliano Maia. “É impossível ele fazer sempre a melhor escolha, com menor custo e melhor retorno. O que a gente faz na IA é justamente unir dados para tomar decisões baseadas neles”.

E se Big Data tem tanto valor para o futuro do mercado, a cibersegurança a partir de agora deve ser prioritária. Sistemas robustos com ferramentas de monitoramento e recuperação diante de comprometimento garantem a confiabilidade da marca e a continuidade operacional.

Juntando todos esses fatores (segurança, tomada de decisões, monitoramento e planejamento estratégico), podemos ver que a disponibilidade de home office é apenas a ponta de um iceberg chamado transformação digital.

A pandemia antecipou a percepção de que é preciso investir mais em tecnologia e aumentar o papel da TI nas operações marítimas. É um caminho que acelera sem volta rumo a um novo desenvolvimento.

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