Tipos de navios: saiba quando contratar cada um

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Quem trabalha com logística portuária — direta ou indiretamente — precisa conhecer os diferentes tipos de navios para saber qual é a ocasião ideal para contratar cada um. Afinal, em quais situações deve-se contar com um navio de carga? Para quais finalidades ele é mais adequado?

Levando em consideração a relevância do tema para o setor, preparamos este artigo. Ao longo do texto, você entenderá como as categorias se diferenciam e as particularidades apresentadas. Acompanhe o conteúdo até o fim!

O que é um navio de carga?

Para responder essas e outras questões ligadas ao assunto, conversamos com Marcela Rosman, que é CEO da Aries Shipping — empresa estabelecida desde 2005 no Rio de Janeiro, especializada na intermediação de cargas e navios entre usuários e prestadores de serviços.

De forma resumida, ela aponta que o “navio de carga é projetado especificamente para carregar commodities/mercadorias”. Esse tipo de navio existe desde os primórdios do transporte marítimo, isto é, há séculos, quando a primeira embarcação foi construída”, informa a especialista. A partir desse marco histórico, o transporte marítimo tem sido fundamental. Mesmo com os avanços no transporte aéreo e nos meios de comunicação, as embarcações desempenham um papel importante demais na economia global.

Ela ainda ressalta que “alguns são construídos para atuar só em determinada rota, e que, nesses casos, os engenheiros navais devem respeitar as restrições, tais como o calado dos portos, o clima (se tem gelo ou não) etc.”.

Portanto, navios de carga geralmente são projetados para transportar mercadorias a granel, carga geral, líquidos e gás, entre outros. Alguns modelos chegam a suportar pouco mais de 4.000 contêineres. A grande capacidade está associada à potência dos motores dos navios — muitos podem levar cargas de vários tamanhos e com milhares de toneladas. A velocidade que eles atingem varia.

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Quais os tipos de navios de carga existentes?

Além dos navios de carga geral, há os que foram desenvolvidos para levar cargas específicas, como gaseiros, tanqueiros, graneleiros e também os que transportam carga viva. Sobre essas categorias, Marcela diz que requerem cuidados específicos: “caso não se mantenham em constante atividade, podem cair em desuso, porque o custo por dia de um navio parado é bastante alto”. Confira, a seguir, quais são eles e para que servem.

Navios graneleiros

Como sugere o próprio nome, a categoria foi concebida para carregar e descarregar mercadorias a granel — como minerais, carvão e grãos. Na maioria das vezes, têm um convés com formato retangular, porque isso facilita a movimentação dos itens. São adequados para produtos que podem ser acondicionados nos porões dos navios sem a obrigatoriedade de:

  • contar as unidades;
  • usar embalagens específicas;
  • fazer a identificação de alguma marca comercial.

Navios petroleiros

Os petroleiros, por sua vez, são usados para transportar não só o petróleo bruto, mas também seus derivados, podendo carregar mais de 300 mil litros de combustíveis e derivados. Levam uma tripulação de 25 pessoas, em média, que ficam na popa (ré) da embarcação, onde há uma cabine de comando e outras áreas comuns, como o refeitório.

Esses navios apresentam um pavimento repleto de canos interligados, que distribuem o óleo de modo igualitário para garantir o equilíbrio. Quando comparados aos outros modelos, os petroleiros se mostram mais largos e menos fundos — características que os torna capazes de navegar em águas rasas. Têm um casco duplo, o que é útil para dar segurança perante vazamentos.

Navios gaseiros

São utilizados para carregar gases liquefeitos — como GPL, GNL, etileno, amônia, propileno, entre outros. Têm como grande marca a presença de tanques arredondados acima do convés principal. Podem contar com 4 tipos distintos de tanques:

  • tanques independentes: suportam o peso da carga de maneira integral;
  • tanques de membrana: têm paredes com espessura pequena, suportadas pela estrutura da embarcação, que podem contrair e expandir livremente;
  • tanques integrais: fazem parte da estrutura do navio;
  • tanques de semimembrana: têm cantos arredondados para evitar o contato com a estrutura do navio.

Navios frigoríficos

São assim chamados por conta dos robustos equipamentos de refrigeração que ficam em seus porões. Tal estrutura serve para conservar os peixes na temperatura ideal até chegarem aos frigoríficos situados em terra firme. Não por acaso, são imprescindíveis para a prática da pesca comercial em grande escala, já que evitam o desperdício do produto que sustenta a atividade.

Navios porta-contêineres

São construídos para o transporte de carga em contentores e podem ser divididos em dois tipos: o com convés corrido e o celular. Ambos são pensados para o embarque por guindantes e, atualmente, são todos gearless, ou seja, sem guindastes próprios. Operam com portainers de terra nos terminais portuários. O tipo celular, como já diz o nome, tem células onde entram os contêineres, ao passo que o convés corrido não possui células.

Praticamente todos possuem ligações para os contêineres refrigerados (tomadas reefer). Os navios porta-contêineres realizam rotas com intervalos regulares entre portos já pré-estabelecidos e costumam ter velocidade maior no serviço de carga e descarga do que os cargueiros tradicionais. Os maiores do mundo conseguem carregar mais de 15.000 contêineres.

Navios porta-veículos ou Ro-Ro

Navios Ro-Ro (roll on-roll off) foram desenvolvidos para levar qualquer carga que embarca e desembarca sobre rodas: seja por cima de rodas próprias, seja por meio de um equipamento desenvolvido para essa finalidade.

“Os Ro-Ro que levam carros, por exemplo, funcionam como grandes garagens, mas podem levar contêineres no convés ou mesmo dentro dos porões, desde que a carga seja apropriadamente amarrada com cabos de aço para que não avariem umas às outras”, explica Marcela.

Navios para cargas vivas

Esses modelos têm rampas para embarcar animais, geralmente gado ou equinos, comprados por países que tradicionalmente importam esse tipo de mercadoria, como Líbia e Itália. Os navios são compartimentados como um curral, com células individuais para os animais.

Quais são as perspectivas para o futuro do navio de carga?

“Se considerarmos que o protecionismo está em xeque, a livre concorrência se mostra como a melhor forma de alocar recursos — assim os ganhos de comércio são distribuídos em um jogo cuja soma tende a ser positiva. A melhor maneira de transportar cargas em larga escala é e sempre será por navio”, conclui Marcela.

Enfim, é fato que os diferentes tipos de navio contribuem de inúmeros jeitos para a economia global. Ao conhecer as características de cada um, é possível identificar boas oportunidades de negócio e acertar na contratação.

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